quinta-feira, 6 de julho de 2017

Polícia Federal acaba com força-tarefa da Lava Jato em Curitiba

O desmonte da força-tarefa da PF em Curitiba coincide com um momento de forte tensão política em que o presidente Michel Temer enfrenta acusação formal de corrupção.

As especulações de que o governo lançaria uma ofensiva contra a Lava Jato que incluiria o cerceamento das condições de trabalho investigativo da PF ganharam corpo a partir de 31 de maio, quando Temer nomeou Torquato Jardim para o Ministério da Justiça.

Em todas as entrevistas que concedeu, Jardim evitou garantir a manutenção de Leandro Daiello no cargo de diretor-geral da PF.

O fim da força-tarefa da PF em Curitiba é simbólica. Ao lado do Ministério Público Federal, os delegados que atuaram naquele núcleo conduziram as investigações desde a descoberta do esquema de cartel e desvio de dinheiro na Petrobras, em 2014.

A mudança na PF causou indignação entre os procuradores do Ministério Público Federal, segundo apurou o BuzzFeed. O coordenador da força-tarefa da Procuradoria, Deltan Dallagnol, ainda não se manifestou oficialmente.

Segundo a PF, os servidores passaram a integrar a Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas, também em Curitiba.

"A medida visa priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário", diz a Polícia Federal, em nota. Leia a íntegra abaixo.


1. Tendo em vista que cada delegado do Grupo de Trabalho da Lava Jato possuía cerca de vinte inquéritos cada um, essa equipe, juntamente com o Grupo de Trabalho da Operação Carne Fraca, passou a integrar a Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (DELECOR);

2. A medida visa priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário, uma vez que permite o aumento do efetivo especializado no combate à corrupção e lavagem de dinheiro e facilita o intercâmbio de informações;

3. Com a nova sistemática de trabalho, nenhum dos delegados atuantes na Lava Jato terá aumento de carga de trabalho, mas, ao contrário, ela será reduzida em função da incorporação de novas autoridades policiais;

4. O número de policiais dedicados a essas investigações chega a 70;

5. A iniciativa da integração coube ao Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado do Paraná, delegado Igor Romário de Paula, coordenador da Operação Lava Jato no estado, e foi corroborada pelo Superintendente Regional, delegado Rosalvo Franco;

6. O modelo é o mesmo adotado nas demais superintendências da PF com resultados altamente satisfatórios, como são exemplos as operações oriundas da Lava Jato deflagradas pelas unidades do Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo, entre outros;

7. Também foi firmado o apoio de policiais da Superintendência do Espírito Santo, incluindo os delegados Márcio Anselmo e Luciano Flores, ex-integrantes da Operação Lava Jato;

8. O atual efetivo na Superintendência Regional no Paraná está adequado à demanda e será reforçado em caso de necessidade;

9. Conforme nota divulgada no dia 21/05/2017, deve-se ressaltar que as investigações decorrentes da Operação Lava Jato não se concentram somente em Curitiba, mas compreendem o Distrito Federal e outros dezesseis estados;

10. Desde o início, a Polícia Federal, de forma republicana e sem partidarismos, trabalha arduamente para o êxito das investigações, garantindo toda a estrutura e logística necessária para o esclarecimento dos crimes.


Buzfeed Brasil

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