quinta-feira, 20 de julho de 2017

Marcado segundo interrogatório de Lula para 13 de setembro

O juiz Sergio Moro marcou para 13 de setembro o segundo depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 13ª Vara Federal de Curitiba. Lula falará na segunda ação movida pela força-tarefa de Curitiba, na qual é acusado de ter recebido vantagens indevidas da OAS na forma de um prédio para abrigar o Instituto Lula, no valor de R$ 12 milhões, e uma cobertura vizinha ao apartamento onde mora em São Bernardo do Campo (SP).

Moro ofereceu à defesa para fazer o depoimento de Lula por videoconferência, com o ex-presidente comparecendo à Justiça Federal de São Paulo. O juiz afirmou que o primeiro interrogatório de Lula envolveu gastos necessários, mas indesejáveis, com medidas de segurança. Ele deu prazo de cinco dias para que os advogados de Lula se manifestem.

O ex-presidente nega e o Instituto Lula afirma que nunca mudou de endereço. Seus diretores dizem ter visitado vários prédios, entre eles o comprado pela Odebrecht, todos considerados inadequados.

O empresário Marcelo Odebrecht afirmou que o valor do prédio foi debitado da conta corrente de propina que a empreiteira mantinha para o PT, mais especificamente da subconta "Amigo", reservada a atender o ex-presidente Lula depois que ele deixou o Palácio do Planalto.

Marcelo Bahia Odebrecht vai prestar depoimento no dia 4 de setembro, mesma data reservada a Demerval de Souza Gusmão Filho, da DAG Construções. O imóvel para o Instituto Lula foi comprado em nome da DAG, uma terceirizada da Odebrecht sediada na Bahia. Marcelo e Demerval são amigos de longa data.

No dia 6 de setembro serão ouvidos Antônio Palocci Filho, Roberto Teixeira e Glaucos da Costa Marques. Palocci e Ricardo Teixeira teriam participado da negociação do imóvel para o Instituto Lula.

Glaucos da Costa Marques é primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente e já condenado na Lava-Jato. Está em nome dele a segunda cobertura atribuída a Lula em São Bernardo do Campo e ele recebeu valores repassados pela empreiteira em datas próximas à compra do imóvel.

Os advogados de Lula dizem que a cobertura foi alugada pela família, mas não apresentou comprovantes de pagamento do aluguel.


Jornal O Globo (Rio)

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