sábado, 3 de junho de 2017

Polícia: acusados de matar jovem em Itambé vão responder em liberdade

A Polícia Civil de Pernambuco anunciou, nesta sexta-feira (2), que os dois policiais militares envolvidos na morte de um jovem de 19 anos atingido por uma bala de borracha durante um ato pela paz, na Zona da Mata de Pernambuco, vão responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A corporação, no entanto, revelou que o soldado quer atirou e o capitão responsável pelo comando da ação ficarão em liberdade até o julgamento. A informação foi repassada durante entrevista coletiva, que marcou a conclusão do inquérito policial, realizada na área central do Recife.

Segundo a Polícia Civil, os dois militares não tinham treinamento para utilizar esse tipo de munição. Eles foram retirados das ruas e, por enquanto, cumprem funções administrativas na PM. A capacitação da tropa para ações com utilização de armas não letais é alvo de inquérito instaurado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O capitão também foi indiciado por abuso de autoridade, por causa de agressões físicas à vítima, filmadas por testemunhas.

O crime ocorreu em 17 de março, em Itambé, distante 92 quilômetros da capital pernambucana. Edvaldo da Silva Alves teve uma veia da coxa atingida por uma bala de borracha. Ele passou 24 dias internado no Hospital Miguel Arraes, em Paulista, no Grande Recife. O rapaz morreu em abril, devido a uma infecção generalizada.

Conclusões

O soldado que atirou no jovem tem seis anos de corporação. Durante esse período, segundo a Polícia Civil, não passou por treinamento ou sequer havia disparado uma bala de borracha durante o serviço. Em um dos vídeos analisados durante o inquérito, o capitão que autorizou o tiro dá um tapa no rosto da vítima.

Durante a coletiva, o chefe da Polícia Civil, Joselito Amaral, afirmou que o caso está sendo investigado de três formas: inquérito policial, procedimento administrativo e Inquérito Policial Militar. (IPM). Agora, cabe ao judiciário e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) decidir se os agentes vão ser presos ou não. A PM vai definir se os dois vão ser suspensos da corporação ou até demitidos.

“A Polícia Civil não viu necessidade de prisão preventiva, por enquanto. Foram analisados vídeos referente ao caso e realizadas seis perícias técnicas, além de outras solicitadas durante a investigação. Por isso, ocorreu a demora na finalização do inquérito”, disse.

Responsável pelo inquérito na Polícia Civil, o titular da delegacia de Goiana, na Mata Norte, delegado Pablo Tenório, afirmou que diversos problemas dificultaram o fechamento do inquérito. Um deles foi o tempo que o jovem passou internado.

“A Unidade de Tratamento Intensivo não permite a realização do exame traumatológico, por exemplo, e, nos vídeos da agressão, o soldado que atira não aparece no enquadramento. Tivemos que analisar a distância permitida para o uso da bala de borracha, que é de no mínimo 20 metros, mas, como não havia ponto de referência para a posição do soldado, não era possível embasar o inquérito nesse aspecto”, justificou o delegado.

Portal G1

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