sábado, 10 de junho de 2017

Nota Pública do Centro Sabiá sobre as cheias em PE

No último dia 28 de maio a história se repetiu da forma mais devastadora: municípios da Zona da Mata Sul de Pernambuco foram inundados de água e lama. Pessoas perderam tudo o que tinham, 55 mil pessoas ficaram desabrigadas. São 11 municípios em estado de calamidade pública.

Na zona rural, várias famílias ficaram isoladas, sem acesso. Cerca de 120 famílias assessoradas pelo Centro Sabiá perderam toda a produção, além de terem suas casas e infraestruturas produtivas comprometidas. Na comunidade de Jundiá, no município de Tamandaré, algumas casas ficaram submersas e a comunidade ficou isolada, assim como Bom Jardim e Camarão, no município de Barreiros. 

Como acontece recorrentemente, as comunidades rurais são as últimas a serem atendidas. A assistência emergencial é pouca e demora muito a chegar, incluindo as doações que estão vindo de todo o estado para os municípios atingidos. Algumas comunidades só começaram a receber cestas básicas no dia 6 de junho, nove dias depois da enchente. 

A liberação de verbas pelos governos, entrega de donativos e reconstrução superficial das cidades são medidas imediatas, mas são paliativos que não resolvem o problema efetivamente. Em 2010, quando a mesma situação aconteceu - casas, escolas, pontes e hospitais foram destruídos e 80 mil pessoas ficaram desabrigadas -, o Governo do Estado, junto com o governo federal, prometeu casas em locais mais seguros e a construção de 5 barragens para conter as águas. Sete anos depois, apenas a barragem de Serro Azul, no município de Palmares, foi construída, e mesmo assim não está finalizada. 

É importante lembrar que para construção dessa barragem, cerca de 1.200 famílias que viviam nos engenhos Verde, Firmeza, Aliança, Canário e assentamento Serra dos Quilombos foram desalojadas. As famílias foram removidas, muitas delas receberam uma indenização ínfima e foram parar nas periferias das cidades próximas. 

Além disso, apenas as barragens não são suficientes. Os rios têm um movimento natural de alargamento com o acúmulo de água, e ao longo dos anos isso não foi respeitado, várias são as construções que se situam muito próximas e são atingidas em época de chuvas. O déficit habitacional não solucionado pelo poder público acentua essa realidade, pois as pessoas se desdobram para achar um local para sua moradia. 

O avanço das cidades, com aterramento de rios e mangues, o desmatamento da mata ciliar que contribui para proteger e amortecer as águas e as mudanças climáticas que têm ocorrido nos últimos anos também são questões que agravam a intensidade das enchentes. 

As chuvas, assim como a seca, são um fenômeno natural que não vai parar de acontecer. Tem-se que aprender a conviver com elas e é dever do poder público colocar em prática ações estruturantes que minimizem os seus efeitos na vida das pessoas. As enchentes na Zona da Mata de Pernambuco são recorrentes, no entanto os governos não têm tomado medidas a médio e longo prazo que garantam a proteção da vida das pessoas. É imperativo que o poder público se posicione com ações concretas e saia do lugar de omissão que tem ocupado.

Centro Sabiá

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