segunda-feira, 22 de maio de 2017

"Em nome de Jesus, a verdade será mostrada"

O Jornal Nacional reproduziu neste sábado (20) matéria sobre a perícia pedida pelo jornal ‘Folha de S.Paulo’ na gravação da conversa do presidente Michel Temer com o dono da JBS Joesley Batista. O presidente Michel Temer citou em pronunciamento, também no sábado, essa perícia que apontou que a conversa foi editada. Neste domingo (21), o jornal ‘O Globo’ publicou na internet uma reportagem sobre o autor da perícia da Folha.

A reportagem relata que o perito judicial Ricardo Caires dos Santos afirma ser profissional em transcrever áudios. É bacharel em Direito pela Unifig, de Guarulhos, e diz ter especialização em Direito Penal.

Ele se tornou figura frequente em programas sensacionalistas e de celebridades na TV. Antes de se dedicar à transcrição da conversa de Temer com Joesley, coube a ele determinar se havia ou não um fantasma numa foto da internet divulgada pela atriz americana Jéssica Alba no ano passado.

O Globo informa que Ricardo costuma se apresentar como perito do Tribunal de Justiça de São Paulo, mas é apenas um prestador de serviços eventual da Justiça, sem nenhum vínculo com o tribunal.

Procurado por 'O Globo', ele afirmou que seu trabalho é apenas inicial e que qualquer conclusão depende de uma outra perícia. Ele negou que o áudio da conversa tenha 50 pontos de edição, como apontado pela Folha. Segundo ele, são 14 pontos de edição, entre 15 e 20 pontos de corte e diversos trechos de ruído. Mas disse que ele não tem condições de apontar onde estão os pontos de edição.

O perito disse que o objetivo de seu trabalho era apenas que outro profissional fizesse a perícia. Para elaborar o laudo, ele afirma ter usado um tocador de mídia, o programa Audacity, uma ferramenta gratuita para edições de áudio caseiras, e o software Vegas Pro 10, ferramenta profissional para edição de vídeo - embora a fita tenha apenas áudio e não imagens.

Especialistas ouvidos pelo 'Globo' afirmam que as ferramentas adotadas por Caires para fazer a perícia são insuficientes para dizer se houve ou não edição. O jornal destaca no laudo da perícia uma série de erros na transcrição da conversa: a presidente do BNDES Maria Sílvia Bastos foi confundida com Marina Silva. A CVM, Comissão de Valores Mobiliários, foi transcrita como CDN.

Na conclusão, o perito cometeu erros de português. Escreve: "para melhor identificação está marcados os pontos em vermelho e amarelo", quando deveria dizer “estão” marcados. Diz ainda e "o objeto "áudio" está eivados de vícios". No lugar de “está eivado”, o que demostra que o perito não tem o domínio da língua portuguesa.

O perito defendeu ainda que os trechos editados teriam reduzido o tempo total de conversa de 50 minutos para 38 minutos. A reportagem do Globo alerta que ele não considerou a gravação feita enquanto Joesley estava no carro, antes e depois de entrar no Palácio do Jaburu.

No site que mantém na internet, Caires se diz especializado em espionagem. Apesar da carreira de perito, o site também mostra que ele atua no ramo imobiliário e tem registro de corretor de imóveis.

O perito Ricardo Caires dos Santos foi o mesmo contratado pela familia do menino Bernardo Boldrini para tentar provar que a carta de suicídio da mãe dele, a enfermeira Odilaine Uglione, era falsa. Na ocasião, o perito também foi entrevistado pelo Fantástico para explicar seu lado.

Nota da 'Folha de S.Paulo'

A 'Folha de S.Paulo' informou que contratou o perito e posteriormente o entrevistou para a produção de reportagem. Tanto no laudo produzido como na entrevista, Santos afirma textualmente que a gravação sofreu 53 edições. "Em nome da transparência, marca de seu jornalismo, a Folha voltará ao profissional para que ele esclareça o teor das declarações dadas a 'O Globo', a quem Santos ofereceu outra conclusão. Santos é perito judicial e já fez análises para diversos órgãos de imprensa."

Programa Válido

O perito judicial Ricardo Caires dos Santos afirmou nesta segunda-feira (22) que usou um programa válido tecnicamente, chamado de Audacity, para analisar a gravação feita pelo dono da JBS, Joesley Batista, com o presidente Michel Temer. Em entrevista ao Timeline Gaúcha, ele comentou que os cortes no áudio podem ser identificados, inclusive, sem a necessidade de uma análise profissional.

"Não precisa ser perito para ver. Há pontos grosseiros sobre isso (cortes). Me pegaram de bode expiatório. Sou pequeno, poxa", desabafou o perito.

Ricardo acusa a Rede Globo de má fé ao apresentar, em reportagens, questionamento sobre seu laudo usando as informações de um perito que não quis se identificar. Ele também comentou que está com receio de sair de casa por medo de represália. 

"É só olharem as redes sociais. Tem ameaça. A Globo acabou com a minha vida", reclamou. 

Contratado pelo jornal Folha de S.Paulo, ele voltou a dizer que identificou 50 apontamentos no áudio, que demonstrariam que houve edição. Também disse que precisou de ajuda para fazer transcrições da conversa. Segundo o perito, foi feito um parecer técnico e que, agora, será analisado pela Justiça. Ricardo também comentou que é perito por nomeações do Tribunal de Justiça de São Paulo.

A edição do áudio da gravação é uma das principais linhas de defesa de Temer. Relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin determinou, no sábado, que a Polícia Federal (PF) faça uma perícia no áudio da conversa entre Temer e o dono da JBS. A decisão atende, em parte, uma petição da defesa do peemedebista.

Na quarta-feira (24), o pleno do STF vai julgar o pedido do presidente para suspender o inquérito contra ele.

"Em nome de Jesus, a verdade será mostrada", afirmou Caires.


Com informações do Portal G1 e da Rádio Gaúcha

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