quinta-feira, 4 de maio de 2017

Dono do restaurante Al Janiah e outros três ativistas presos na noite de terça são liberados em SP

O empresário Hasan Zarif (foto), membro do movimento Palestina Para Tod@s e proprietário do restaurante Al Janiah, localizado no centro de São Paulo e comandado por refugiados, e outros três ativistas foram liberados na tarde desta quarta-feira (03/05) após audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda.

Eles haviam sido presos na noite de terça-feira (03/05) após serem agredidos por um grupo de extrema-direita que se manifestava na Avenida Paulista contra a nova Lei de Migração, que define os direitos e os deveres do migrante e do visitante no Brasil, regula a entrada e a permanência de estrangeiros e estabelece normas de proteção ao brasileiro no exterior. Segundo testemunhas, os manifestantes também exaltavam o trabalho da Polícia Militar e gritavam que “comunistas têm que morrer”.

Rodrigo Saccomani, um dos advogados de Zarif, afirmou a Opera Mundi que os ativistas, que atuam em prol de imigrantes e refugiados no Brasil, foram à Avenida Paulista com a intenção de "marcar presença e criar um diálogo" com os manifestantes anti-imigração.

Segundo os ativistas relataram ao advogado, "quando o grupo que estava na marcha viu que eles estavam conversando em árabe, houve ofensas e a briga". Já o grupo de extrema-direita diz que seus integrantes foram atacados, inclusive com uma bomba caseira, pelos ativistas.

O Ministério Público irá investigar o caso e pediu a liberação dos presos. Dois deles, que são brasileiros, foram liberados sem qualquer restrição. Zarif, que é brasileiro com ascendência palestina, e outro ativista, que é sírio-palestino e cujo pedido de refúgio está em processo, receberam medidas restritivas de direito, como manter o endereço atualizado e pedir autorização judicial pra sair do município. Eles também foram proibidos de participar de eventos sobre a Lei de Migração.

Segundo Hugo Albuquerque, também advogado de Zarif, a Justiça entende que há controvérsias, entre elas a questão da bomba, que devem ser apuradas, para então o MP decidir se apresenta ou não alguma denúncia contra os ativistas.

Os ativistas negam as acusações que constam no boletim de ocorrência, inclusive a de terem jogado uma bomba contra o grupo de extrema-direita. Saccomani disse eles foram agredidos também pelos policiais no momento da prisão e seguiram para o IML após a audiência para fazer exames de corpo de delito e determinar a gravidade das agressões.

Para o advogado, houve abuso na atuação policial na prisão e no registro de ocorrência realizado na noite de ontem. Como houve troca de agressões, a defesa dos ativistas solicitou que os manifestantes de extrema-direita também fossem tratados como agressores e tiveram seu pedido negado – eles constam como vítimas no boletim de ocorrência elaborado pela Polícia Civil do Estado de São Paulo na 78ª D.P., nos Jardins.

Dezenas de ativistas de direitos humanos acompanharam o caso desde a delegacia ontem à noite até o Fórum da Barra Funda nesta tarde. O vereador Toninho Vespoli (PSOL-SP) foi uma das pessoas que compareceu em solidariedade aos presos e disse ver o perigo do crescimento do conservadorismo e do fascismo, não só no Brasil, mas também no mundo. “A xenofobia é uma das demonstrações dos radicalismos que a crise do capitalismo está gerando”, afirmou a Opera Mundi.

“Os países centrais do capitalismo tentam passar uma visão de que as pessoas do Oriente Médio são um mal para a sociedade [ocidental]. Uma tipografia do muçulmano que já é construída como a de um terrorista, e isso está diretamente ligado ao interesse dos Estados Unidos pelo petróleo no Oriente Médio e está sendo reproduzido sem crítica no Brasil”, disse o vereador.

Opera Mundi

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