segunda-feira, 3 de abril de 2017

Nova regra do crédito rotativo começa hoje

Os brasileiros se despedem hoje de uma companhia que sempre esteve por perto nos momentos de aperto, mas que não deixará saudade. A partir de hoje, o crédito rotativo do cartão de crédito não existirá mais como todos conhecem. Nenhum consumidor poderá usá-lo por mais de 30 dias: depois desse prazo, será obrigado a optar por um parcelamento da dívida caso não quite o saldo devedor. Até então, o cliente podia ficar indefinidamente pendurado no crédito rotativo, pagando juros de quase 500% ao ano.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou a mudança em janeiro, em um momento em que o governo buscava uma agenda positiva. O argumento foi justamente o nível elevado de juros dessa modalidade de crédito, o que acabava resultando em mais inadimplência. O BC argumentou que a medida ajudará também o balanço dos bancos, uma vez que dará condições para o correntista pagar o débito antes que ele se transforme em uma dívida impagável.

As taxas do rotativo são, há muito tempo, as maiores do mercado, acima de 15% ao mês, em média. Ao longo das últimas semanas, todos os bancos criaram formatos novos de parcelamento para atender à mudança. As principais instituições financeiras vão cobrar de 1% a 10% ao mês no parcelamento.

Mas especialistas advertem que, se os consumidores não se organizarem, o alívio dos juros pode não ser suficiente para voltar ao azul. Simulações mostram que quem fizer parcelamentos muito longos para quitar o cartão pode acabar pagando mais juros do que se quitasse o rotativo que existia até agora em um período mais curto.

A recomendação é: ao cair no parcelamento pós-rotativo, o cliente deve buscar imediatamente um crédito pessoal junto ao banco, cujas taxas são menores.

Além disso, os juros do parcelamento praticados hoje têm aumentado. Na quarta-feira, o BC informou que, em fevereiro, os juros do crédito parcelado do cartão de crédito subiram de 161,9% para 163,5% ao ano, enquanto os do rotativo caíram 5,2 pontos percentuais, para 481,5% ao ano.


Jornal O Globo (Rio)

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