segunda-feira, 13 de março de 2017

RS: Adolescentes confirmam briga antes de morte de menina em escola

Três adolescentes que estavam com Marta Avelhaneda Gonçalves, de 14 anos, antes da menina ter sido encontrada morta, nesta quarta-feira (8) em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, confirmaram em depoimentos na tarde desta sexta-feira (10) que ela havia se envolvido em uma briga. O delegado Leonel Baldasso, responsável pelo caso, espera tomar depoimentos de outros estudantes devido a contradições das testemunhas.

"Vamos ter de ouvir mais alunos para termos certeza. Elas acusam a vítima, que essa vítima teria provocado a briga, na versão delas. Ela teria rolado no chão, entrado em briga com uma delas, e a outra tentou apartar e tirou", disse.

Segundo o delegado, as testemunhas citaram nomes de outros estudantes, inclusive meninos, que estariam envolvidos na briga que, segundo a diretora, aconteceu na troca de turnos. No entanto, elas seguem sem indicar como teriam sido as lesões no pescoço e a asfixia apontadas no laudo pericial

Baldasso espera concluir o inquérito na próxima semana, e as adolescentes poderão ser responsabilizadas por homicídio. "Assim que houver a confirmação por outras testemunhas de que elas brigaram, podemos enquadrar como homicídio as meninas de 12 e 13 anos de idade, mas temos de ouvir mais pessoas."

A polícia suspeita que o motivo da desavença seja ciúme. A jovem havia se mudado com a família de Porto Alegre para a cidade da Região Metropolitana em dezembro de 2016 e era nova na escola.

"Pelo que se recebeu de informe, uma delas teria um namorado, e esse namorado teve um primeiro contato com a vítima. E um ciúme poderia ter ocasionado essa briga. Vamos buscar testemunhas, funcionários da escola, e apurar eventual responsabilização, omissão, que teria ocorrido por parte dos gestores daquele local", afirma o delegado Leonel Baldasso.

Os depoimentos tiveram o acompanhamento da Promotoria de Defesa da Infância e da Juventude do Ministério Público, do Conselho Tutelar e dos responsáveis pelas adolescentes.

O caso - O caso ocorreu na tarde de quarta (8) em uma sala de aula da Escola Estadual de Educação Básica Luiz de Camões. A ocorrência da Brigada Militar levada à delegacia após a morte informava que uma briga havia ocorrido entre a vítima e mais três colegas de uma turma do 7° ano, dentro da sala de aula. Marta foi encontrada desacordada.

As três adolescentes que teriam participado da agressão chegaram a ser levadas para a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), mas foram liberadas em seguida. "Vamos aprofundar as investigações e saber qual a motivação da briga. Ver se houve intenção de matar e, havendo intenção, as adolescentes vão ser enquadradas por homicídio", explica o delegado.

A polícia também vai apurar a conduta dos funcionários da escola. O colégio tem 450 alunos.

CRE isenta direção - Procurada pela reportagem, a 28ª Coordenadoria Regional de Educação disse que não houve negligência dos profissionais e da direção da escola, e elogiou a atuação deles no episódio. A coordenadora Marta Ribeiro ressaltou que a diretora não tinha a informação de que houve uma briga quando socorria a vítima. O primeiro relato foi de que a adolescente tinha sofrido um mal súbito.

Além disso, conforme a coordenadora, a direção da escola chamou uma técnica de um posto de saúde que fez atendimento preliminar, antes da chegada de uma ambulância. A diretora também acompanhou a aluna no Hospital Padre Jeremias, onde soube que uma briga havia ocorrido. Eventuais punições a alunos envolvidos serão definidas após orientações da Polícia Civil e do Ministério Público.

Família pede justiça - Marta estava no segundo dia de aula na escola. As aulas começaram na terça (7). A irmã define a adolescente como uma menina tímida, que pouco saía de casa. "Era tímida, mais na dela, bem amiga... Não gostava nem de sair mais, o que ela fazia era ir para o colégio, e se a mãe mandava ir no mercado. Ela só ficava no celular e no quarto", conta Géssica Gonçalves.

Inconformada, a irmã da vítima pede justiça. "Não sei se a responsabilidade é do colégio. Não interessa se essas gurias são menores de idade, de algum jeito elas têm de ser penalizadas", desabafa.

Devido à morte da estudante, os portões da escola, que fica na Vila Bom Princípio, amanheceram fechados na quinta (9), e ficará assim também nesta sexta (10). As aulas foram suspensas por dois dias.

Portal G1

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