quinta-feira, 9 de março de 2017

"Não vamos tolerar preconceito e violência contra a mulher"

Um dia após o discurso polêmico sobre o Dia Internacional da Mulher, o presidente Michel Temer se manifestou, na manhã desta quinta-feira (9), afirmando que seu governo ‘fará de tudo para que mulheres ocupem cada vez mais espaço na sociedade’ e que não irá tolerar preconceito e violência. As mensagens foram postadas na conta oficial do peemedebista:


Nas redes sociais, a declaração do presidente Temer foi mal recebida e considerada machista por alguns internautas. “Que mal gosto. Quanto machismo”, escreveu um deles. “Esse discurso está tão lindo para o Dia das Mulheres… de 1960″, criticou outro internauta.

Sucessão de Gafes (todos os grifos são nossos)

Em cerimônia no Palácio do Planalto em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o presidente Michel Temer afirmou que as mulheres têm uma “grande participação” na economia porque ninguém é mais capaz do que elas para “indicar os desajustes de preço no supermercado e ninguém é melhor para detectar as eventuais flutuações econômicas, pelo orçamento doméstico maior ou menor”.

“Com a queda da inflação e dos juros, com o superávit recorde da balança comercial, com o crescimento do investimento externo, isso significa emprego, e significa também que a mulher, além de cuidar dos afazeres domésticos, terá um campo cada vez mais largo de emprego”, afirmou, ressaltando que tem dito a empresários que a recessão “está indo embora”.

O presidente declarou também que a formação dos filhos é feita pelas mulheres, não pelos homens. “Tenho absoluta convicção, até por formação familiar, por estar ao lado da Marcela (Temer), o quanto a mulher faz pela casa, o quanto faz pelo lar, o quanto faz pelos filhos. Se a sociedade, de alguma maneira, vai bem, e os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada formação em suas casas, e seguramente isto quem faz não é o homem, mas a mulher”, disse.

Ao lado da primeira-dama Marcela Temer, o presidente comentou quatro aspectos da vida da mulher. A cerimônia contou com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, a secretária nacional de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, a advogada-geral da União, Grace Mendonça, e o ministro da Saúde, Ricardo Barros. A plateia era formada predominantemente por mulheres, muitas delas deputadas federais.

Confira o que o presidente disse:

1- Criação dos filhos
Em seu discurso, o presidente atribuiu às mulheres a responsabilidade maior pela criação dos filhos. "Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela [Temer], do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos. E, se a sociedade de alguma maneira vai bem e os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada formação em suas casas e, seguramente, isso quem faz não é o homem, é a mulher."

2- Analisar preços do supermercado
O presidente também destaca que a mulher é a responsável pelo abastecimento da despensa da casa. Temer destaca a participação feminina na economia brasileira ao fato de a mulher conhecer a flutuação de preços no supermercado ou na feira. "Na economia, também, a mulher tem uma grande participação. Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes, por exemplo, de preços em supermercados mais do que a mulher. Ninguém é capaz melhor de identificar eventuais flutuações econômicas do que a mulher, pelo orçamento doméstico maior ou menor."

3 - Cuidar dos afazeres domésticos
Ao comentar sobre dados econômicos recentes, como a queda da inflação e dos juros, Temer disse que, "além de cuidar dos afazeres domésticos", as mulheres têm cada vez mais chances de entrar no mercado de trabalho.

"Tudo isso significa empregos e significa também que a mulher, além de cuidar dos afazeres domésticos, vai ver um campo cada mais largo para o emprego".

4 - Ainda são figuras de segundo grau
Segundo o presidente, as mulheres ainda são tratadas "como figuras de segundo grau". Ele afirma que elas "devem ocupar o primeiro grau em todas as sociedades".

O presidente Temer também destacou "o absurdo da nossa história" que só permitiu a participação política da mulher em 1932, com o direito ao voto. "A representação que antes que se fazia era uma representação política de pé quebrado."

Após o discurso, a secretária nacional de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, minimizou em entrevista à Folha a gafe do presidente Michel Temer. Segundo Pelaes, a afirmação do presidente não foi machista e reflete o que as mulheres "ainda vivem hoje". O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também minimizou a declaração e disse que o peemedebista estava "constatando um fato".

A primeira-dama, Marcela, que falou por pouco mais de 2 minutos, destacou as mulheres que cuidam de seus filhos sob condições precárias, muitas vezes sozinhas. "Mesmo com a busca pela legitimidade de apontar o que é melhor para nós, há momentos em que a realidade se mostra difícil para muitas mulheres", afirmou. "A essas bravas mulheres precisamos dar condições de criar seus filhos da melhor maneira possível", acrescentou.

Portal UOL e MetroJornal

Nota do Blog:  "A representação que antes que se fazia era uma representação política de pé quebrado". Falou o presidente que não tem uma única mulher no primeiro escalão de seu governo...

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