terça-feira, 14 de março de 2017

Mobilização Nacional contra a Reforma da Previdência



Organizações sociais de todo o Brasil promovem atos de rua nesta quarta-feira (15), no Dia Nacional de Luta Contra a Reforma da Previdência. Eles estão sendo convocados por professores da rede pública, privada e de universidades, metalúrgicos, químicos, bancários, metroviários, condutores, servidores públicos, entre outros, que denunciarão o desmonte da Previdência descrita na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, que tramita atualmente na Câmara Federal.

As mobilizações são organizadas pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, as Centrais Sindicais e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). As organizações prometem que essa será a maior mobilização nacional que o país já viveu nas últimas décadas. A CNTE afirma que mais de 1 milhão de profissionais da educação iniciarão a greve da categoria nesta quarta, que deve permanecer paralisada pelo menos até o dia 25 de março, mas com possibilidade de continuar por tempo indeterminado.

“Amanhã será um marco na história da luta dos trabalhadores desse país, até porque se essas lutas não forem feitas agora, não teremos mais país para os nossos filhos no futuro”, disse Roberto Leão, da CNTE, durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta no sindicato dos jornalistas, em São Paulo.

Para Leão, o contexto social e econômico que o país vive, com o desmonte de direitos sociais e as medidas econômicas propostas pelo governo não eleito de Michel Temer (PMDB), colaboram para a proporção que as lutas estão tomando.

O grande diferencial no atual momento político, segundo Raimundo Bonfim, da Frente Brasil Popular, é o fato da "pauta da Previdência ser uma questão concreta", que os trabalhadores não estão dispostos a abrir mão. “No período de impeachment da presidenta Dilma, a gente avisava que os direitos seriam atacados. Agora eles de fato estão sendo atacados”, analisa. Bionfim acredita que esta "será das maiores paralisações dos últimos tempos". 

“O governo [Temer] vive numa constante ameaça, com uma crise econômica e social sem precedente, baixíssima popularidade, atolado nas denúncias de corrupção, ataque aos direitos sociais e trabalhistas. O único elemento que esse governo tem é a sustentação da base parlamentar, e a questão das reformas da Previdência, trabalhista e a terceirização são três pautas que dialogam com os trabalhadores. É nessas condições que vamos fazer as mobilizações no dia 15”, destaca Raimundo.

Argumentos falsos - O objetivo das manifestações, segundo as organizações, também é desconstruir o argumento utilizado pelo governo federal de que uma reforma da Previdência seria necessária por causa de um suposto déficit de R$ 146 bilhões.

Estudos alternativos como o da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), demonstram que em 2014, por exemplo, houve superávit de R$ 53 bilhões no Sistema de Segurança Social. Os governos, segundo os estudos da Anfip, passaram a considerar apenas parte das contribuições sociais, incluindo somente a arrecadação previdenciária direta urbana e rural, excluindo outras fontes importantes, como o Cofins, o Pis-Pasep, entre outras, além de ignorar as renúncias fiscais.

“O déficit é uma mentira. Simplesmente ignoram aquilo que está na Constituição, das demais receitas. Querem transformar o direito à aposentadoria num produto bancário”, afirmou Edson Carneiro (Índio), da Frente Povo Sem Medo Índio, alegando que com a medida, parte da população migraria para o sistema previdenciário privado. Segundo o sindicalista, o real objetivo do governo é “prejudicar o conjunto da classe trabalhadora para beneficiar os bancos”.

“Iremos parar esse país para derrubar esse desmonte e falar para os deputados que se eles votarem a favor das reformas, nós vamos buscá-los nas suas casas. Vão sentir a ira do povo e do movimento organizado no próximo período. O deputado que votar a favor tem que saber que nunca mais terá o voto da população brasileira”, disse Índio.

Douglas Izzo, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), acredita que a “ficha da população caiu e as pessoas sabem da gravidade da situação”. Para ele não resta “dúvida de que a greve geral está madura e que nós iremos paralisar esse país” no próximo período.

Mapa da Mobilização no Brasil - Centrais sindicais, movimentos sociais e categorias trabalhistas vão realizar uma greve geral amanhã em 25 estados e no Distrito Federal contra a reforma da previdência e a reforma trabalhista, propostas do governo Michel Temer (PMDB) que tramitam no Congresso.

Protestos coordenados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) nacional e outros movimentos sindicais devem acontecer desde as 7 horas da manhã de amanhã no país.

Em Brasília, o ato terá início na frente da Catedral, na Esplanada dos Ministérios, com concentração às 8h. Já em São Paulo, o protesto está marcado para as 16 horas, na frente do Masp, na Avenida Paulista. Apenas o estado do Mato Grosso do Sul não possui manifestações agendadas, segundo informações divulgadas pela CUT até as 16 horas desta terça-feira, 14. Veja abaixo o mapa com todos os protestos marcados para amanhã no país.

Os protestos estão sendo chamados pelos manifestantes como o Dia Nacional de Paralisação e Mobilização e devem envolver categorias dos setores de transportes, educação, estudantes, bancários, trabalhadores dos Correios, entre outros. 


Em todo o País, os manifestantes questionam o aumento da idade mínima de aposentadoria para 65 anos e a definição de tempo de contribuição de 49 anos para o resgate integral do valor da previdência.

Além disso, eles protestam contra as mudanças na legislação trabalhista. “O povo também irá às ruas para dizer que não aceitará mudanças na legislação que vão transformar o atual contrato de trabalho em ‘contrato de bico’, inseguro, intermitente, precário e mal remunerado”, publicou a assessoria de imprensa da CUT no site da instituição. 

Lista de estados:

ACRE
8h – Ato em Rio Branco com concentração no Palácio Rio Branco, sede do governo estadual do Acre

ALAGOAS
9h – Ato em Maceió na Praça dos Martírios

AMAPÁ
15h – Ato em Macapá começa em frente à Cia de Água e Esgoto do Amapá num protesto contra a privatização de empresas públicas. No itinerário, manifestantes passarão pela Caixa Econômica, Correios e Banco do Brasil, depois seguirão em caminhada para uma mobilização unificada com demais movimentos na Praça Veiga Cabral, no centro da capital, Macapá.

AMAZONAS
15h – Concentração na praça do Congresso, em Manaus, com passeata até a Avenida 7 de Setembro, no centro.

BAHIA
7h – Manifestação em Salvador no Iguatemi
15h – Passeata na Praça do Campo Grande, em Salvador

CEARÁ
8h – Passeata no centro de Fortaleza, com concentração na Praça da Bandeira.

Grupos confirmados: CUT, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Conlutas, Intersindical, Frente Brasil Popular (FBP), Povo sem Medo, Marcha Mundial de Mulheres, Levante Popular da Juventude, União Nacional dos Estudantes (UNE), Movimento Organizado dos Trabalhadores/as Urbanos do Estado do Ceará, entre outros.

DISTRITO FEDERAL
8h – Ato Público na Catedral de Brasília, na Esplanada dos Ministérios

ESPÍRITO SANTO
7h – Concentração na Praça de Goiabeiras com caminhada até o aeroporto, em Vitória.

GOIÁS
9h – Ato em frente à Assembleia Legislativa em Goiânia

Segundo a CUT, está prevista a paralisação dos professores e trabalhadores da educação estadual e federal, além de outras categorias de servidores municipais.

MARANHÃO

7h30 – Ato com início na Praça Deodoro, em São Luis, com participação de centrais sindicais junto com os sindicatos do setor da educação e de outras categorias. Haverá também ato em frente ao prédio da Previdência no Parque Bom Menino.

MATO GROSSO
15h – Ato Publico na Praça Ipiranga, no centro de Cuiabá
Paralisação: Educação, Servidores Federais e a Rede Municipal do Estado Bancários farão atos nas principais agencias

MINAS GERAIS
10h – Ato na Praça da Estação, em Belo Horizonte
Segundo a CUT, haverá paralisação dos Metroviários e de trabalhadores da Educação

PARÁ
9h – Ato Publico na Praça da Republica, me Belém
Confirmada a paralisação dos Correios, manifestação dos bancários nas maiores agências e manutenção do acampamento no Aeroporto de Belém até dia 15

PARAÍBA
9h – Ato em frente ao escritório do Ministério da Previdência com passeata pelo centro de João Pessoa

PARANÁ
10h – Ato na Praça Tiradentes, em Curitiba
Categorias confirmadas: Educação, Servidores Federais e Municipais de Curitiba. Além disso, a CUT informou que há previsão de greve do transporte em Curitiba e ocupação em sedes do INSS

PERNAMBUCO
9h – Ato político da educação com demais categorias, na praça Oswaldo Cruz, em Recife.

PIAUÍ
9h – Ato Público em frente à Assembleia, em Teresina, seguido de Audiência Pública que discutirá as Reformas da Previdência

RIO DE JANEIRO
1) SINPRO Rio aprovou paralisação e fará ato nas regionais de manhã.
2) SINTUFRJ aprovou a greve de 24h e fará ato na Ilha do Fundão pela manhã.
3) SINTRAMICO fará assembleia em algumas bases de manhã
4) SINTSAUDE estará em greve e vai participar do ato unificado
5) Radialistas estão se propondo a organizar de manhã manifestação na EBC e MultiRio
6) Moedeiros terá uma atividade de manhã
7) SISEJUFE aprovou a greve de 24h
8) SEPE greve de 24h tanto na rede estadual como nas municipais
9) Saúde estadual já está em greve
10) Sindscoppe fará paralisação no dia 15;

9h – Debate: Reforma da Previdência e Criminalização dos Movimentos Sociais e Políticos. Local: campus Centro

13h – Ato em frente à Justiça Federal, contra a criminalização dos movimentos sociais e políticos e contra a perseguição de militantes por parte do MPF-RJ. Local: Cinelândia.

16h – Ida para o ato unificado na Candelária, no centro do Rio de Janeiro

RIO GRANDE DO NORTE
14h – Ato na Praça Gentil Ferreira – Caminhada até a Praça Kennedy, em Natal
16h – Cidade Alta, em Natal

RIO GRANDE DO SUL
17h – Ato Publico na Esquina Democrática – Caminhada até o Largo do Zumbi dos Palmares, em Porto Alegre
Também acontecerão atos, assembleias ou caminhadas conta a reforma nas seguintes cidades: Erechin, Passo Fundo, Carazinho, Ijuí, Pelotas, Rio Grande, Santa Maria, São Leopoldo, Canoas, Novo Hamburgo, Cruz Alta, Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Santa Rosa, Taquara, Torres, Gravataí, Serafina Correa, Sapiranga, Dois Irmãos

RONDÔNIA
Ato e Passeata em Porto Velho e 51 cidades do estado
9h – Concentração no centro das cidades do interior e, na capital, ato começa na Praça Estrada de Ferro Madeira Mamoré

Segundo a CUT, haverá fechamento das principais agencias do INSS no estado.

RORAIMA
8h – Ato Público na Praça do Centro Cívico, em Boa Vista

SANTA CATARINA
16h – Ato na Praça Miramar, em Florianópolis

SÃO PAULO

16h – Grande ato com os movimentos sociais na Paulista, na frente do Masp, na capital

Previsão de Paralisação dos metroviários, dos condutores e cobradores de ônibus, dos Correios, das agências bancárias da Avenida Paulista, dos trabalhadores de educação estaduais e municipais, dos eletricitários, dos metalúrgicos, químicos e servidores municipais

Em Ribeirão Preto: Ato na frente do Teatro Pedro II

SERGIPE
15h – Ato na Praça General Valadão, em Aracajú

TOCANTINS
08h – Ato em Palmas, com concentração na Rotatória do Colégio São Francisco
Grupos confirmados: Coletivo Estadual Frente Brasil Popular, MAB, Marcha Mundial de Mulheres – MMM, CTB, SINTRAS, CDHP, FETAET, CUT, SINTET, SINTSEP-TO, COEQTO, MTST, SEET, CIMI, SINTEC, UBES, UGT, UNE, Coletivo Kizomba, SISEPE, ENEGRECER, Marcha das Mulheres Negras, STEET, MST, Consulta Popular, NOVA CENTRAL SINDICAL, Levante Popular da Juventude, COOPTER, Associação de Mulheres Pinheirinho VIVE.

Bancários - Os bancários de São Paulo participam nesta quarta-feira (15) do Dia Nacional de Paralisação e Mobilização, contra a reforma da Previdência e a reforma trabalhista. As agências localizadas em algumas regiões da cidade, localizadas nos principais corredores e centros administrativos, não irão funcionar durante todo o dia. A decisão foi deliberada em assembleia em 21 de fevereiro e confirmada hoje (14).

A partir das 17h, trabalhadores de todas as categorias se concentram no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, para um ato unitário convocado pelas centrais sindicais e movimentos populares. "Os trabalhadores estão mobilizados contra a retirada de direitos. Não vamos aceitar mudanças nas regras da Previdência e flexibilização da CLT sem diálogo com a população. Essa é uma luta de todos, unindo os bancários a outras categorias", afirma a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira.

Outras categorias já anunciaram adesão aos protestos de 15 de março: motoristas e cobradores de ônibus, eletricitários, metalúrgicos, metroviários, professores, servidores municipais, servidores da saúde e químicos, entre outros.

Escolas param em Minas - Professores de grandes escolas da rede particular anunciam que também vão cruzar os braços contra a reforma da Previdência na quarta-feira. As redes estadual e municipal de educação decretaram paralisação e greve geral. Setores do transporte coletivo prometem engrossar as manifestações: metroviários da capital anunciam a disposição de paralisar os serviços, enquanto a Companhia Brasileira de Trens Urbanos se mobiliza para garantir a circulação dos trens.

Na área de educação, instituições particulares como os colégios Magnum e Loyola já anunciaram a suspensão das aulas amanhã, diante da adesão de seus profissionais ao protesto contra a reforma. Ambas as escolas informaram que definirão oportunamente a data em que o dia letivo será reposto. Nas escolas públicas, o protesto pode ser mais longo. 

Na rede municipal, trabalhadores já haviam decidido em assembleia na quarta-feira aderir à greve nacional a partir do 15, quando haverá nova plenária. “A greve nacional começa dia 15, mas a paralisação é por tempo indeterminado. Só retornaremos às atividades quando houver um posicionamento contrário à reforma do governo. Trata-se de um dia histórico quando a educação vai se unir contra a proposta que afeta todos os trabalhadores e, principalmente, a educação”, afirma Adriana Mansur, diretora do Sindicato dos Trabalhadores Educação da Rede Pública Municipal.

Lula estará presente - O Dia Nacional de Mobilização e Paralisação contra a reforma da Previdência proposta pelo governo de Michel Temer, que ocorre amanhã (15) em todo o país, terá a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ato político que começa às 16h, na Avenida Paulista, região central da capital paulista. A informação foi confirmada em coletiva de imprensa dos movimentos sociais e centrais que organizam o ato. As mobilizações terão início pela manhã, com paralisação de várias categorias, dentre elas, ônibus municipais e intermunicipais da Região Metropolitana de São Paulo (capital, ABC, Guarulhos, Mogi das Cruzes), Metrô (exceto Linha 4-Amarela), escolas municipais e estaduais, unidades de saúde, bancos, correios e poder judiciário.

“Esse governo não tem legitimidade para fazer isso (as reformas). Esse projeto não foi eleito. Os financiadores do golpe queriam exatamente isso. As reformas da Previdência e trabalhista só melhoram as coisas para os lucros dos empresários. Vai ser a desgraça da classe trabalhadora”, afirmou o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo. Para ele não há nenhuma possibilidade de diálogo quanto à proposta. “Não há possibilidade de melhorar o projeto. Ele é péssimo para o povo brasileiro e precisa ser retirado”, completou.

Mato Grosso do Sul - A partir de amanhã, educadores de Mato Grosso do Sul entram em greve por tempo indeterminado. A mobilização nacional tem como proposta confrontar as reformas trabalhista e previdenciária, propostas pelo Governo Federal. Em Dourados e Campo Grande, a categoria está mais mobilizada e a estimativa é a de que a maioria das escolas municipais e estaduais estejam fechadas.

Contrário à greve, o governador Reinaldo Azambuja já avisou que irá cortar o ponto do educador que deixar de trabalhar. À imprensa na Capital, ele falou que o motivo da paralisação é injusta, por tratar-se de uma reivindicação nacional. Para Azambuja, os professores não podem prejudicar os alunos por uma greve que não tem motivo, por ser política de federação. O governador avisou que tomará medidas judiciais.

A ameaça de corte de salário não intimidou os professores que mantêm calendário de greve por tempo indeterminado. Em Dourados, os educadores vão se concentrar na praça Antônio João, a partir das 8h de amanhã. Eles vão utilizar carro de som e poderão sair às ruas. A categoria dos professores no município é a maior e mais atuante quando se trata de reivindicação trabalhista, mobilização.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Municipal em Educação (Simted), Gleice Barbosa, diz que a paralisação não é em prol dos professores, mas, sim, em nome de todos os trabalhadores, independentemente se for de empresa privada ou servidor público.

A Secretaria Municipal de Educação, em Dourados, não se manifestou contrária à greve até o momento, mas também não se solidarizou ao movimento de paralisação. Caberá aos pais dos alunos entrar em contato com a coordenação de cada escola ou Centro Educacional Infantil (Ceim) para se informar sobre a adesão dos professores à greve. Cada unidade de educação é responsável pela adesão ou não à greve.

Centrais Sindicais - Não são apenas os educadores que estão descontentes com a reforma trabalhista. Demais categorias também vão se mobilizar amanhã em manifestos, porém não se fala em greve geral. Em Campo Grande, foi criado, inclusive, o "Comitê estadual contra a Reforma da Previdência".

Com slogan "Vamos trabalhar até morrer", entidades como a Força Sindical, UGT (União Geral dos Trabalhadores), CUT (Central Única dos Trabalhadores) e CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e Intersindical (Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora) mobilizam trabalhadores em todo o Estado e estão organizados para realizar protestos amanhã em Campo Grande e no interior.

Greve de Professores em Pernambuco - Os trabalhadores em Educação de Pernambuco cruzam os braços a partir desta quarta-feira. De acordo com o sindicato da categoria, o Sintepe, a classe vai aderir à greve, que será deflagrada durante assembleia unificada, marcada para as 9h, na Praça Oswaldo Cruz, no Recife.

A mobilização dos trabalhadores se posiciona contra a Reforma da Previdência e pelo cumprimento da Lei do Piso Salarial Nacional e foi convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). No dia 12 de janeiro, o Ministério da Educação reajustou o Piso Salarial Educacional em 7,64 %, que agora é de R$ 2.298,80 e precisa ser cumprido pelo governo do estado e prefeituras. Já a Reforma da Previdência retira direitos dos trabalhadores, prejudicando em grande escala especificamente as educadoras. De forma unificada, o Sintepe em conjunto com os sindicatos da educação Sinproja, Sinpc, Sinpmol, Sinpremo, Simpere e Sinpro participará da Greve Nacional.

Para a próxima sexta-feira (17) está programado mais um ato unificado contra a Reforma da Previdência e pelo Cumprimento da Lei do Piso Salarial. O protesto terá início às 14h, na Praça do Derby, no Recife.

Confira o calendário das mobilizações:

15/03
Início da Greve Geral contra a Reforma da Previdência e pelo Cumprimento da Lei do Piso Salarial e Assembleia Unificada 
Praça Oswaldo Cruz, às 9h, no Recife.

17/03
Ato Unificado contra a Reforma da Previdência e pelo Cumprimento da Lei do Piso Salarial
17 de março, às 14h, na Praça do Derby, no Recife.

20/03
Assembleia

Veja a nota da Frente Povo Sem Medo, que está encabeçando as manifestações em todo o Brasil:

Declaração Política Frente Povo Sem Medo

O ano de 2016 foi marcado por intensa resistência ao processo de golpe. No entanto, mesmo com as amplas mobilizações organizadas em todo o país, muitas delas impulsionadas pela Frente Povo Sem Medo, o golpe se concretizou. A chegada de Temer ao poder demonstrou que a elite brasileira queria retomar o comando da política que tornou o Brasil um dos países mais desiguais do mundo, com espoliação de direitos, diminuição do papel do Estado na economia e entrega das riquezas nacionais, como o pré-sal e a venda de terras para estrangeiros. 

Para além do sucesso do golpe, a articulação conservadora foi capaz de impulsionar movimentos de direita que tem cumprido uma agenda claramente reacionária com a propagação de um discurso de ódio contra mulheres, negros e LGBTT e uma defesa aberta da criminalização de todas e de todos que lutam. 

As primeiras medidas do governo Temer já deram o cartão de visitas. A aprovação acelerada da PEC dos gastos públicos, que limita o crescimento dos investimentos em saúde e educação somente à variação da inflação pelos próximos 20 anos, representa um verdadeiro desmonte dos serviços públicos no país, uma Desconstituinte. 

Além disso, logo no início do ano, se deu a instituição da Reforma do Ensino Médio por medida provisória, sem discussão com a sociedade e com mudanças regressivas no currículo. 

A indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal, como principal símbolo da máxima “estancar a sangria”, representa também o que há de mais atrasado nas políticas de “segurança pública”, que resulta em cada vez mais extermínio das juventudes negras e indígenas nas periferias, como também um assustador processo de encarceramento em massa, principalmente de mulheres nos últimos anos, sob a demagogia da falida “guerra às drogas” e com o sinistro papel da polícia militarizada. 

Próximos desafios - Ciente da impopularidade crescente de seu governo, Temer decidiu acelerar a aprovação de duas propostas que representam o fim de qualquer direito dos trabalhadores, a reforma da previdência e a reforma trabalhista. A reforma da previdência, que na realidade significa o fim da aposentadoria, pretende estabelecer uma idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, com necessidade de 49 anos de contribuição para alcançar o valor integral do benefício, além de acabar com o regime de aposentadoria rural. As únicas duas categorias que não vão ser afetados pelas reformas são as forças armadas e os políticos, exatamente onde moram os reais privilégios. 

A reforma trabalhista por sua vez pretende retirar uma série de direitos garantidos pela CLT como os 30 dias de férias, uma hora de descanso, dentre outros, ao abrir espaço para acordos coletivos entre sindicatos e patrões mesmo que eles representem perda de direitos para os trabalhadores. Sem falar na retomada do projeto 4302/98 da época de FHC que prevê terceirização ampla e irrestrita de todas as atividades das empresas. Se aprovados, significam a morte da legislação trabalhista no Brasil. As duas propostas representam o ponto alto dos ataques propostos pela articulação golpista que levou Temer ao poder. Só serão barradas se conseguirmos construir uma ampla resistência nas ruas, valendo-nos de todos os métodos, como greves, paralisações e bloqueios.

Cenário político e social - Apesar das promessas de que o golpe colocaria fim à crise econômica, o que vemos na realidade é o contrário. Nenhuma perspectiva de crescimento a curto prazo, aumento brutal do desemprego e crescimento do endividamento da população. Essa situação combinada com a falência dos serviços públicos instalada em diversos estados e municípios pode levar a um agravamento cada vez maior de insatisfação popular. Outro elemento importante a ser considerado é a desmoralização crescente do governo Temer diante de inúmeras denúncias de corrupção. 

Diversos ministros já caíram e os primeiros vazamentos da delação da Odebrecht mostram que o núcleo duro do governo dificilmente conseguirá ser salvo. Tudo isso deixa claro a farsa do impeachment como combate à corrupção. Não é a toa que a palavra de ordem “Fora Temer” volta a ganhar espaço na sociedade e mesmo setores da mídia que apoiaram o golpe ameaçam abandonar o barco. 

O papel da Povo Sem Medo A Frente Povo Sem Medo inicia o ano de 2017 com o compromisso de combater nas ruas com a maior unidade possível todos os ataques do governo Temer, em especial a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista. Devemos também estar nas ruas lado a lado com o povo que sofre os efeitos da crise e da falta de serviços públicos para que toda essa insatisfação não seja apropriada por setores da direita que defendem saídas ainda mais conservadoras para a crise. 

Continuaremos a luta pelo Fora Temer, que é a única saída possível diante de tantos ataques. Sabemos que a queda de Temer pode abrir espaço para outros projetos também ilegítimos, através de eleições indiretas, por isso além de exigir a saída imediata do governo golpista, exigimos também a realização de eleições diretas já. 

Por fim, a Frente Povo Sem Medo deve continuar cumprindo o papel de ser um polo alternativo para todos aqueles que querem reconstruir a esquerda no país, a partir da força das ruas dando voz as pautas das negras e negros, mulheres, indígenas, LGBTs, num projeto que organize as amplas maiorias que vivem do trabalho contra os 1% que detém a riqueza e os privilégios. 

Por isso vamos realizar ao longo do ano um ciclo de debates nacional sobre um Projeto para reconstruir a esquerda no país e superar os modelos de conciliações de classe que levaram os trabalhadores e trabalhadoras a um beco sem saída no Brasil, além de ampliarmos a organização popular por todo país. 

Além das mobilizações de rua, a Frente Povo Sem Medo colocará seus esforços para construir um plebiscito popular e unitário em torno da reforma da previdência e reforma trabalhista, porque consideramos fundamental que a população seja consultada sobre os ataques aos seus direitos. 

Lutamos por um plebiscito que envolva a população nos bairros populares, nas escolas, postos de saúde, igrejas e universidades. Teremos grandes desafios. Enfrentaremos com luta e firmeza, sem nenhum passo atrás. A resistência dos sem-teto na #OcupaPaulista, a luta feminista no 8/3 e a construção de um dia de mobilizações em 15/3 a partir da greve dos trabalhadores da educação apontam o caminho que seguiremos.

AQUI ESTÁ O POVO SEM MEDO DE LUTAR! 

Não à Reforma da Previdência! 

Não à Reforma Trabalhista! 

Fora Temer! 

Diretas Já!



Com informações da Frente Povo Sem Medo, Estado de Minas, Rede Brasil Atual, Revista Exame, Jornal O Progresso (MS) e Diario de Pernambuco

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