sábado, 25 de março de 2017

México: três jornalistas mortos em um mês

O governo do México afirmou nesta sexta-feira (24/03) que irá revisar e fortalecer o mecanismo de proteção a jornalistas e defensores de direitos humanos em resposta à comoção no país após o assassinato de Miroslava Breach (foto), repórter do jornal La Jornada, na cidade de Chihuahua, no Estado de mesmo nome, nesta quinta-feira (23/03).

Breach foi assassinada com oito tiros diante de sua casa por volta das 7h da manhã, quando se preparava para levar seu filho à escola. Um homem se aproximou do carro onde estavam a jornalista e seu filho e, após atirar oito vezes contra ela, deixou um bilhete que afirmava que Breach foi morta “por ser linguaruda” e com a assinatura “El 80”, que seria um grupo criminoso ligado ao cartel Juárez. Seu filho saiu ileso do ataque.

A jornalista trabalhava há 20 anos no La Jornada e se dedicava a reportar a escalada de violência no Estado em meio à guerra entre os cartéis de droga de Juárez e Sinaloa, assim como a negligência do poder público. Recentemente, ela escreveu sobre o aumento de ataques contra defensores de direitos humanos e ambientalistas.

Além dela, outros dois jornalistas foram assassinados no México somente no mês de março: no dia 2, Cecilio Pineda Birto, diretor do jornal La Voz de Tierra Caliente, no Estado de Guerrero, e no dia 19, Ricardo Monlui Cabrera, que foi diretor do El Politico e presidente da Associação de Jornalistas e Repórteres de Córdoba e Região. Nos dois ataques, os jornalistas foram mortos a tiros por homens desconhecidos.

Roberto Campa, subsecretário de Direitos Humanos da Secretaria de Governo do México, declarou que os recentes ataques demonstram a necessidade de revisar a proteção de comunicadores e ativistas no país. Ele afirmou que Breach não estava registrada no mecanismo de proteção e que não havia sido detectado nenhuma situação de risco envolvendo a jornalista.

“Ainda assim, lamentamos profundamente [o assassinato] e isso nos levará a revisar o mecanismo [de proteção], durante a junta de governo que teremos nos próximos dias, para torná-lo mais eficaz”, disse Campa.

A Procuradoria-Geral da República do México, por meio da Promotoria Especial para a Atenção a Delitos Cometidos contra a Liberdade de Expressão, abriu investigação sobre o assassinato de Breach. Horas após o ataque, o titular da Promotoria do Estado de Chihuahua, Cézar Peniche Espejel, disse ao La Jornada que a principal linha de investigação para a morte da jornalista seria justamente sua atividade profissional e as reportagens que ela vinha publicando no jornal.

“O México se converteu em um cemitério de jornalistas”, declarou Elsa González, presidente da FAPE (sigla em espanhol para Federação de Associações de Jornalistas da Espanha). O país é um dos que mais registra assassinatos de jornalistas no mundo. Segundo dados da organização Artículo 19, desde dezembro de 2012, quando começou o governo do presidente Enrique Peña Nieto, 106 jornalistas foram assassinados no México – 99,75% dos casos permanecem impunes.

Em um editorial intitulado “Já Basta!”, publicado nesta sexta-feira (24/05), o La Jornada critica a “impunidade que cerca as agressões” contra jornalistas, “um estímulo para que seus perpetradores sigam cometendo-as”. “A violência que sofrem faz com que não se possa informar sobre o que está verdadeiramente acontecendo neste país. (...) Cada vez é mais perigoso dizer a verdade.”

“Demandamos uma investigação conforme a lei, rápida, exaustiva e certeira. Queremos que se encontrem os assassinos e não se inventem bodes expiatórios. Exigimos verdade e justiça, já!”, diz o jornal.

Opera Mundi

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