terça-feira, 7 de março de 2017

'Meninas são ensinadas a ficar caladas e sorrir quando discordam'

Durante a infância em Nsukka, no sudeste da Nigéria, a escritora Chimamanda Ngozi Adichie, de 39 anos, era quem tinha de ajudar nos afazeres domésticos. Seu irmão sequer era chamado. Da mãe, ouvia sempre como era importante saber cozinhar para o marido, ou sobre como se comportar em uma discussão: "é melhor ficar calada, fingir. Se você não concorda, sorria, é assim que as mulheres fazem".

Algumas décadas depois, Adichie acabou se tornando uma das mais consagradas escritoras da Nigéria, referência do feminismo no mundo inteiro - seu ensaio Sejamos Todos Feministas foi bestseller em vários países - e autora de livros premiados e adaptados para o cinema nos Estados Unidos.

Ela vive desde os 19 anos nos EUA, onde sua obra e seu engajamento na luta pela igualdade de gênero conquistaram fãs como a cantora Beyoncé, que encaixou um sample de uma palestra de Adichie na canção Flawless.

"Nós ensinamos meninas a se encolher, a se diminuir. Nós dizemos a elas: você pode ter ambição, mas não demais. Você pode desejar ter sucesso, mas não em demasia, senão ameaçará o homem", diz o trecho.

Autora de romances como Americanah, Hibisco Roxo e Meio Sol Amarelo, com livros traduzidos em mais de 30 línguas, ela diz se ver como "uma feminista feliz, que não odeia homens, que gosta de batom e usa salto alto".

Seu foco no momento é na educação; ela acha que a noção de igualdade deve ser levada às crianças desde o berço.

"Eu queria um mundo onde nós pudéssemos criar crianças sem pensar em gênero. Ou simplesmente limitar gênero à biologia. Então, por exemplo, é ok você dizer a um menino que ele deve fazer xixi desse jeito específico porque o órgão sexual dele é desse jeito, mas para mim é aí que (a diferença) acaba", disse a autora, que está lançando Para Educar Crianças 

Clique aqui para ler a entrevista da escritora à BBC Brasil

Com informações da BBC Brasil

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