terça-feira, 21 de março de 2017

Hong Kong também suspende importação de carne brasileira

Hong Kong anunciou nesta terça-feira (21) que suspendeu temporariamente a importação de carne brasileira. A decisão foi tomada pelo Centro de Segurança Alimentar (CSA) do Departamento de Higiene Alimentar e Ambiental por precaução.

A medida vale para a importação de carne congelada e refrigerada e para carne de aves do Brasil. Nos dois primeiros meses deste ano, o país respondeu por 14% das exportações brasileiras de carne.

Na sexta-feira (17), a Polícia Federal deflagrou a Operação Carne Fraca, que apontou fiscalização irregular de frigoríficos no Brasil. Na segunda-feira (20), alguns países importadores também anunciaram restrições temporárias à entrada de carne brasileira, entre eles a União Europeia, Coreia do Sul e China. No dia seguinte, a Coreia do Sul voltou atrás e suspendeu a proibição.

Um porta-voz do Centro de Segurança Alimentar disse que, "o órgão continuará mantendo contato com as autoridades brasileiras para obter informações detalhadas para posterior avaliação e também reforçará a vigilância das carnes do Brasil para salvaguardar a segurança alimentar e a saúde pública".

De acordo com o centro, nos últimos três anos, foram analisadas 17.060 amostras de carne para testes. Entre elas, 36 amostras estavam insatisfatórias - nenhuma delas era de origem brasileira.

Ministro - Em entrevista à Rádio Gaúcha nesta manhã, questionado sobre a decisão de Hong Kong, o ministro da Agricultura Blairo Maggi disse é natural que cada um dos mercados para onde o Brasil exportou peça informações.

"Pensem no sentido contrário: o Brasil está importando carne, sei lá, dos Estados Unidos, e dá um problema lá... claro que nós aqui como um sistema, nós vamos pedir alguns dias, ver algumas processos", minimizou o ministro.

'Pequeno núcleo' - Nesta terça-feira, o presidente Michel Temer afirmou que um "alarde" em torno da operação Carne Fraca causou "embaraço econômico" para o País. Temer falou sobre a operação durante discurso, em Brasília, em um evento organizado pelo Council of the Americas e pela Apex (Agência Brasileira de Promoção às Exportações).

"Houve um grande alarde nos últimos dias em relação à carne brasileira. Evidentemente que isso causa, não posso deixar de registrar, um embaraço econômico para o país, porque as alguns países já pensam ou pensaram em suspender [a importação]", afirmou o presidente.

O governo brasileiro trabalha para que as restrições fiquem restringidas somente às 21 unidades investigadas, e não a todas exportadoras. Durante um evento em São Paulo nesta segunda-feira (20), o presidente Michel Temer afirmou que o agronegócio não pode ser desvalorizado por um "pequeno núcleo".

Segundo o presidente, 6 das 21 unidades suspeitas de fraudes exportaram nos últimos 60 dias. Em uma tentativa de tranquilizar os países importadores, Temer reuniu embaixadores para jantar em uma churrascaria de Brasília, no domingo.

Entre as investigadas, 5 unidades já foram suspensas de forma preventiva, informaram associações do setor. As unidades com certificação suspensa não podem vender para o mercado interno, nem para o externo.

O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e o maior exportador. O setor vendeu para mais de 150 países no ano passado e agora se preocupa com os impactos negativos do esquema de venda de carne supostamente adulterada.

Carne fraca - A Operação Carne Fraca foi deflagrada na última sexta-feira (17), com mais de 1 mil policiais envolvidos para cumprir 309 mandados, depois de 2 anos de investigações. No total, são 21 empresas são suspeitas de fraudes.

A ação envolve grandes como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas, mas também frigoríficos menores, como Mastercarnes e Peccin, do Paraná. As empresas negam irregularidades.

Portal G1

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