quarta-feira, 8 de março de 2017

#DiaDaMulher - Gisberta Salce

Mulher Trans. Soropositiva. Imigrante ilegal. Sem-teto. A brasileira Gisberta Salce passou por uma trajetória entre a descoberta de seu gênero, o sucesso na Europa, o envolvimento com drogas, o vírus HIV e a indigência. Por medo da violência no Brasil, voou para a Europa. E lá encontrou violência e morte. Aos 45 anos, no dia 22 de fevereiro de 2006.

Na cidade do Porto, no norte de Portugal, conheceu alguns jovens, que inicialmente ajudavam-na com alimentos e abrigo. Mas 14 colegas souberam do "homem com seios" e em vez da solidariedade, a violência gratuita. Por três dias, Gisberta foi agredida a pedradas, pauladas e chutes. Foi sexualmente torturada com o uso de pedaços de madeira e teve o corpo queimado com cigarros. No dia 22 de fevereiro, os jovens voltaram ao prédio abandonado. A brasileira não respondia a qualquer estímulo. Ao julgarem que estava morta, planejaram como desaparecer com o corpo. Decidiram jogá-la ao fosso do prédio, que estava cheio de água. Gisberta estava inconsciente, mas ainda viva. Morreu afogada.

Como quase todos eram menores de idade (em Portugal, a maioridade acontece aos 16 anos), as penas variaram entre 11 e 13 meses de reclusão em centros de reeducação (a exemplo da Funase, Fundação Casa, Febem, etc.). E o juiz ainda disse textualmente, que o assassinato foi 'uma brincadeira de mau gosto de crianças que fugiu ao controle'. Gisberta foi amarrada em um pedaço de madeira e atirada ao fosso, mas o julgamento, no fim, determinou que quem a matou foi a água, e não as pessoas que a atiraram lá

A morte de Gisberta gerou o debate sobre a transfobia, mudou o olhar para as questões da igualdade de gênero. Abriu o caminho para transformações que garantiriam maior inclusão e direitos aos homossexuais e transgêneros. A história da brasileira foi transformada em peça de teatro, em documentário e na canção Balada de Gisberta, composta pelo português Pedro Abrunhosa e interpretada por Maria Bethânia.


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