segunda-feira, 6 de março de 2017

Cresce reincidência na Funase em 2016

Em 2016, 61,8% dos jovens que deram entrada em uma unidade da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) de Pernambuco eram reincidentes. Em números absolutos, dos 3.289 jovens que chegaram à fundação no ano passado, 2.034 já tinha passagem por ela. A estimativa é maior do que em 2015, quando 59,3% dos 3.272 jovens apreendidos eram reincidentes. Vale destacar que os dados referentes a 2016 disponibilizados pela Funase ainda estão sendo finalizados e os números podem ter alterações. A Funase afirma que não possui dados de reincidência para os anos de 2013 e 2014.

Outro dado que chama atenção é que, no ano passado, 96% dos jovens que deram entrada na Funase eram do sexo masculino. Além disto, em 2016, os atos infracionais que mais levaram a apreensões de jovens foram roubo (49,8%), tráfico de entorpecente (20,7%) e homicídio (10,1%). Entre os anos de 2013 a 2016, a maioria dos infratores que deram entrada na fundação tinha entre 16 e 18 anos.

O papel da Funase é promover, no âmbito estadual, a Política de Atendimento aos Adolescentes envolvidos em ato infracional, com privação e restrição de liberdade, visando a garantia dos seus direitos fundamentais, por meio de ações articuladas com outras instituições públicas e a sociedade civil organizada. O público alvo são adolescentes de ambos os sexos, dos 12 aos 18 anos de idade incompletos e, excepcionalmente, dos 18 aos 21 anos de idade, envolvidos em ato infracional.

A diretora-presidente da Funase, Nadja Alencar, reconhece que o grande número de reincidentes não é algo bom, mas afirma que o maior desafio está no retorno dos jovens infratores à sociedade. "Enquanto eles estão sob nossa custódia participam de atividades educativas, profissionais, mas, infelizmente, em alguns casos, quando retornam à sociedade acabam voltando para o crime, pois falta apoio e acolhimento da família e da sociedade", avalia.

De acordo com a diretora-presidente, a Funase tem buscado intensificar a educação e profissionalização dos internos. "A maioria deles tem baixa escolaridade. Então, um dos nossos objetivos é a frequência deles em sala de aula, para que ao sair de nossas unidades eles dêem continuidade e tenham um objetivo de vida", disse.

Atualmente, todas as unidades da Funase contam com escola estadual de ensino. Além do ensino regular, são desenvolvidas com os jovens atividades culturais e profissionalizantes, como capoeira, futebol, serigrafia, robótica, horta agrícola, entre outras.

"Para este ano, estamos desenvolvendo projeto voltado às práticas restaurativas, para que os jovens deixem de lado as práticas mais violentas e restaurarem as relações com familiares, amigos, educadores. Estamos definindo ainda uma política de combate às drogas. Para isto, vamos intensificar parcerias com prefeituras".

Novas unidades - Três novas unidades da Funase estão previstas para serem entregues neste ano, sendo dois Centros de Atendimento Socioeducativo (Case), um no Cabo de Santo Agostinho e outro em Jaboatão, e um Centro de Internação Provisória (Cenip), no Recife. Juntas, as três unidades estão orçadas em cerca de R$ 65 milhões e vão abrir 320 novas vagas. Atualmente, a Funase dispõe de 1.139 vagas, distribuídas em seis Cenips, oito Cases, oito Casas de Semiliberdade (Casem) e uma Unidade de Atendimento Inicial (Uniai).

Jornal Destak

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