segunda-feira, 13 de março de 2017

Brasil lidera ranking mundial de igualdade de gênero na ciência

Um estudo divulgado nesta semana aponta o Brasil como um dos países mais igualitários em questão de gênero na ciência. Segundo relatório da Elsevier, 49% dos artigos científicos publicados no país entre 2011 e 2015 foram escritos por mulheres, mesmo número apresentado por Portugal, que ao lado do Brasil lidera o ranking mundial de igualdade de gênero na ciência.

Os dois países lusófonos se diferenciam, no entanto, no volume de publicações: Enquanto as portuguesas escreveram 27.561 artigos durante o período de cinco anos, as brasileiras publicaram 153.967 artigos, mais de cinco vezes o número de Portugal – lembrando que a população brasileira é quase 20 vezes maior que a de Portugal. Em comparação com o período anterior (1996 a 2000), os dados representam um aumento de 11% de participação feminina no Brasil em um campo historicamente dominado por homens.

O Brasil ficou na frente dos Estados Unidos e da União Europeia, onde a participação de mulheres na ciência correponde a 40% e 41%, respectivamente. Depois do Brasil e de Portugal, os países que mais se aproximaram do equilíbrio entre homens e mulheres autores de artigos científicos foram a Austrália (44%) e Canadá (42%). O Japão foi o país com os piores resultados, com mulheres responsáveis por apenas 20% das publicações científicas nos últimos cinco anos.

O Brasil também apresentou resultados melhores que a maioria dos outros países em na proporção de número de inventores. Entre 1996 e 2015, houve um aumento de 11% para 19% de mulheres autoras de patentes no Brasil, percentual maior que nos Estados Unidos (14%), Reino Unido (12%) e Canadá (13%), mas igualado pelo Chile e superado por Portugal (26%).

Apesar da mudança nos últimos anos, áreas como áreas como física, informática e engenharia ainda apresentam um índice baixo de participação feminina, enquanto áreas da saúde contam com mais mulheres, aponta o estudo. No Brasil, as áreas onde as mulheres representam mais de metade dos artigos publicados são em áreas ligadas à saúde, como odontologia, imunologia, neurociência, farmacologia e psicologia.

O estudo também revelou que, com exceção do Japão, homens publicam mais artigos do que mulheres – no Brasil, a média é de 1,2 artigos para mulheres no período de 2011 a 2015, enquanto para homens esse número é de 1,5. Essa diferença, aponta a pesquisa, pode ser uma consequência direta da forma como mulheres são mais limitadas pela sociedade para lidar com suas carreiras.

“Mulheres interrompem a carreira com maior frequência que os homens, geralmente por motivos relacionados a iniciar uma família ou aos cuidados de um parente. Essa diferença pode ser relacionada a uma falta de opções de licença maternidade, expectativas sociais quanto a cuidados familiares e uma desigualdade de renda (em famílias com dois responsáveis, geralmente quem ganha menos é designado aos cuidados familiares)”, concluiu.

Opera Mundi

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