terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Três das 20 vítimas de acidente com carro da Tuiuti seguem internadas

Após passarem por cirurgias, três das 20 pessoas que ficaram feridas após o acidente com o carro alegórico da Paraíso Tuiuti, no Rio de Janeiro, permaneciam internadas até a manhã desta segunda-feira (27/2). De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), elas estão no pós-operatório e os quadros clínicos “inspiram cuidados”. O grave acidente marcou o desfile da agremiação, a primeira a entrar na Marquês de Sapucaí no Grupo Especial do carnaval 2017. 

O delegado William Lourenço Bezerra afirmou que a perícia para apurar os responsáveis pelo acidente com um carro alegórico da Tuiuti, no Grupo Especial do Rio, continua. Segundo ele, ainda é prematuro falar sobre quem são os responsáveis. "De manhã vamos complementar o trabalho, ouvir as pessoas e identificar o motorista. Ele não opera o carro sozinho, há pessoas que o guiam de um lado para o outro. Então vamos ter cautela", afirmou a jornalistas. Segundo ele, a perícia vai entrar no carro alegórico, olhar a parte debaixo dele". O veículo segue apreendido.

Oito feridos foram levados a hospitais da região e outros 12 foram atendidos no sambódromo. Uma das vítimas corre o risco de ter uma das pernas amputada. Os casos com maior gravidade são de três mulheres que foram encaminhadas para o hospital municipal Souza Aguiar, no centro, o mais próximo da Marquês de Sapucaí, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Maria de Lourdes Moura, 58 anos teve fratura exposta nas duas pernas, traumatismo craniano e de face e está em estado grave. A fotógrafa Lúcia Melo teve traumatismo craniano leve e fratura exposta na perna esquerda. Já Elizabeth Jofre quebrou o fêmur.

Outras cinco vítimas, com menor gravidade, foram levadas para o hospital Miguel Couto, no Leblon. As que receberam atendimento nos postos localizados no Sambódromo passam bem. Elas foram medicadas, fizeram curativos e foram liberadas. Segundo a secretaria, algumas vítimas buscaram atendimento em função do estresse provocado pelo acidente.


Pista molhada - Testemunhas relataram que o carro, último da agremiação a entrar na Marquês de Sapucaí, derrapou no setor 1, na área de concentração, pouco antes de entrar na avenida. Ao menos oito vítimas foram prensadas junto à grade de proteção que separa as escolas de samba do público. O diretor de carnaval da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Elmo José, tentou explicar a dinâmica do acidente. Ele relatou que, com a chuva que caia no momento do acidente, a parte da frente do carro começou a tender para o lado esquerdo e não conseguiu fazer a curva para entrar na passarela. Ele desgovernou um pouco, segundo o diretor, e começou a encostar nas pessoas. Em nota, a Liesa lamentou o acidente. "A Liga se solidariza com as vítimas e seus familiares e informa que todas foram prontamente socorridas", diz a nota.

O carro seguiu por todo o desfile e ficou recolhido no próprio local para a nova perícia. O motorista ainda não havia sido identificado até esta manhã. A investigação será feita pela 6ª DP (Cidade Nova).

Grades serradas - “Houve um esmagamento junto à grade, que poderia ter provocado um dano até maior. A gente evitou que a grade entrasse na barriga da pessoa. Todas saíram daqui conscientes”, explicou o coronel do Corpo de Bombeiros, André Luiz Teixeira Morgado, após o resgate dos feridos. “Foi horrível. Uma das senhoras presas na grade estava desacordada, perdeu muito sangue. As pessoas ficaram desesperadas, sem saber o que fazer”, contou Mônica Ferreira, que assistia ao desfile no setor 1.

Os bombeiros tiveram que serrar a grade para conseguir retirar uma das mulheres feridas do local e levá-la até uma ambulância em direção ao hospital. Foram momentos de tensão. Na arquibancada, a população, que até então cantava o samba da escola permaneceu em silêncio, à espera do término do resgate. Quando os bombeiros tiveram êxito, uma explosão de palmas foi ouvida na dispersão da Sapucaí.

A fotógrafa Cacau Fernandes, 48 anos, que também ficou ferida, teve uma distensão do ligamento do ombro e terá que ficar 10 dias com o braço imobilizado. Em entrevista ao Estado, ela conta que conversou com a fotógrafa Lúcia Melo. "Conversei com ela no hospital. Os médicos dizem que ela corre o risco de perder a perna esquerda", disse.

"Acidente inédito" -  A Paraíso do Tuiuti foi a primeira escola a desfilar pelo Grupo Especial do Rio de Janeiro na noite de domingo em seu retorno à elite do samba carioca após 16 anos. O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira, disse logo após o ocorrido que o acidente é provavelmente inédito na Sapucaí. "Pelo que eu saiba é a primeira vez que acontece um acidente dessa gravidade", disse.

Testemunhas contaram que o carro, que era o último da escola e tinha uma parte acoplada, o que dificulta o manejo, entrou na avenida de forma apressada. Isso porque a escola estava atrasada - este ano, a apresentação foi encurtada de 82 para 75 minutos.

Veja a lista de feridos no acidente:

Internados no Hospital Miguel Couto

Luis Alberto Rodrigues dos Santos, 34 anos - Liberado
Mario Pinto Correa, 36 anos - Liberado
Marcelo Eleuterio Gomes, 49 anos - Liberada
Marco Antonio Machel Delduque, 58 anos - Liberado
Ana Claudia Fernandes (Cacau Fernandes fotógrafa d'O Dia) 48 anos - Liberada
Lucia Regina de Mello Freitas, 56 anos - Internada

Internados no Hospital Souza Aguiar

Elisabeth Ferreira Jofre, 55 anos - Internada em estado grave
Maria de Lurdes Maura Ferreira, 58 anos - Internada em estado grave


Atendidos e liberados

Posto 1 - Concentração

Andréa, 49 anos
Vera Lúcia Amorim, 68 anos
Juciara Rodrigues de Souza, 56 anos
Janaína Garcia, 73 anos
Jaime Duarte Cezário, 55 anos
Barbara Camperlo da Silva, 53 anos

Apoteose

Fábio Chafin Gomes

Posto 2

Severino Silva
Roberto Justino
Renata Passolo de Francesco
Alnir dos Santos Dias 
Luiz Felipe Leal da Fonseca Junior

Veja as imagens na hora do acidente:



Correio Braziliense (DF)

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