segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

"Saiam do meu país"

Um veterano da marinha dos Estados Unidos foi acusado de ter assassinado um engenheiro indiano e de ter ferido outros dois homens quando abriu fogo num bar na cidade de Olathe, no Estado do Kansas. O FBI está investigando se foi um crime de ódio, tendo entretanto a Índia solicitado uma investigação "minuciosa e veloz" ao que se passou.

O tiroteio aconteceu nos EUA e abriu os noticiários na Índia, espoletando uma onda de revolta nas redes sociais: os internautas responsabilizam o presidente Donald Trump - e o slogan com que venceu as eleições, "América primeiro" - de ter criado um clima de intolerância e agressividade com os imigrantes que trabalham no país.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, disse que a perda de qualquer vida "é trágica", mas que ligar o acontecimento à retórica do presidente seria "absurdo".

Adam Purinton, o veterano de 51 anos que cometeu o crime, se recusou a falar sobre o motivo pelo qual decidiu abrir fogo. A imprensa local afirma que o homem frequentemente se queixava da falta de saúde e tinha perdido o pai há pouco tempo. Se for condenado, incorre numa pena de prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional nos primeiros 50 anos.

Purinton está acusado da morte de Srinivas Kuchibhotla, de 32 anos, e de ferir o também indiano Alok Madasani, também com 32, no Austins Bar and Grill da cidade de Olathe, no Kansas. Uma testemunha disse à polícia que terá gritado "saiam do meu país" antes de começar a disparar contra os dois indianos.

Ian Grillot, um norte-americano de 24 anos, foi baleado quando tentou intervir, mas não corre risco de vida. "As pessoas me chamam de herói. Mas eu estava só fazendo o que qualquer um deveria ter feito por outro ser humano". O suspeito do crime tentou escapar mas foi detido cinco horas depois do tiroteio. 

Kuchibhotla era casado mas não tinha filhos. A viúva, identificada pelos meios de comunicação como Sunayana Dumala, disse a jornalistas que o atirador ceifou uma vida e "um homem adorável". O indiano tinha feito o mestrado em eletrônica na Universidade do Texas em 2007, e trabalhava na Garmin desde 2014. A empresa colocou bandeiras a meio mastro depois de saber da morte do funcionário.

Pratik Mathur, porta-voz da embaixada da Índia em Washington, afirmou que o governo indiano manifestou profunda preocupação e solicitou uma investigação "minuciosa e veloz".

Diario de Noticias (Portugal)

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