segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

“HAVERÃO mudanças no Enem”, garante o ministro da Educação Mendonça Filho

Em entrevista recente, ao defender as mudanças no Ensino Médio e no ENEM, o ministro da educação Mendonça Filho cometeu um deslize na concordância verbal. Ao ser perguntado sobre as modificações, ele teria dito, segundo matéria da GloboNews que "Haverão (sic) mudanças no ENEM". Um telespectador atento mandou uma carta para um dos jornais de circulação nacional comentando da gafe e ainda afirmou que "a reforma não é só necessária, como deve ser retroativa". Isso porque, de acordo com a gramática, o verbo HAVER, no sentido de EXISTIR, não vai para o plural. Veja a seguir a carta publicada:





Veja agora a explicação do Portal Educação UOL - Thaís Nicoletti:

Haverão mudanças, mas creio que serão pequenas.”
O verbo “haver”, no sentido de “ocorrer” ou “existir”, é impessoal. Isso quer dizer que permanece na terceira pessoa do singular, pois não tem sujeito.
A confusão é frequente não só na hora de escrever mas também na hora de falar. Muita gente faz a flexão do verbo, como se seu objeto direto fosse seu sujeito. É possível que a origem do erro esteja na analogia com os verbos “existir” e “ocorrer”. Estes têm sujeito – e, portanto, as flexões de número e pessoa – e costumam antepor-se a ele. Assim:
Ocorrerão mudanças.
Existirão mudanças.
Com o verbo “haver”, a história é outra:
Haverá mudanças.
É importante observar que os verbos auxiliares assumem o comportamento dos verbos principais. Assim, temos o seguinte:
Deverão ocorrer mudanças.
Deverão existir mudanças.
Deverá haver mudanças.
Não se pode, no entanto, dizer que o verbo “haver” nunca vai para o plural, pois isso não é verdade. Ele pode, por exemplo, ser um verbo auxiliar (sinônimo de “ter” nos tempos compostos), situação em que pode ir para o plural. Assim:
Eles haviam chegado cedo.
Eles tinham chegado cedo.
Como verbo pessoal (com sujeito), pode assumir o sentido de “obter”:
Houveram do juiz a comutação da pena.
Como sinônimo de “considerar”, também tem sujeito:
Nós o havemos por honesto.
O mesmo comportamento se observa quando empregado na acepção de “comportar-se”:
Eles se houveram com elegância diante das críticas.
O plural também pode aparecer quando usado com o sentido de “lidar”. Assim:
Os alunos houveram-se muito bem nos exames.
Fique claro, portanto, que é no sentido de “existir” e de “ocorrer”, bem como na indicação de tempo decorrido (Há dois anos...), que o verbo “haver” permanece invariável. Assim:
Haverá mudanças, mas creio que serão pequenas.

Com informações do Portal UOL e do Diario do Centro do Mundo


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