quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Fraudes em bolsas de estudo na UFPR

Cabeleireiro, motorista, artesão, cozinheiro e assistente administrativo estão entre os 29 presos no esquema que causou um rombo de R$ 7,3 milhões nos cofres da Universidade Federal do Paraná (UFPR) com o desvio de recursos de bolsas de pesquisa. Segundo a Polícia Federal (PF), os suspeitos chegaram a receber entre 2013 e 2016 uma média de R$ 5 mil por mês - valores que nem mesmo um professor com doutorado consegue obter com pesquisas na instituição. Além das prisões, a PF, com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU), cumpre 73 mandados judiciais no Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
“A maioria desses beneficiários não tem nível superior. São autônomos, profissionais como cabeleireiros, motoristas, artesão”, explica o delegado da PF delegado Felipe Hayashi. Como exemplo, o TCU acrescentou que, em casos que ainda estão sendo confirmados, um motorista de furgão recebeu entre 2013 e 2016 R$ 15,3 mil; um cozinheiro acumulou no mesmo período R$ 318 mil; enquanto um assistente de administração de empresa aposentado por invalidez levou R$ 739 mil. Um cabeleireiro, segundo apuração da reportagem, faturou R$ 627 mil.
Ainda não se sabe se os detidos que não tinham vínculo algum com a UFPR eram apenas laranjas ou se eles se beneficiaram diretamente com as verbas desviadas. Provas colhidas pela investigação atestam que os valores eram depositados diretamente nas contas bancárias de cada um deles.
O delegado Hayashi afirma que ex-pró-reitores de Pesquisa e Pós-Graduação e Planejamento, Orçamento e Finanças da UFPR também estão sendo investigados. “Pró-reitores assinaram processos de pagamentos fraudulentos. Precisamos apurar se a pessoa agiu dolosamente ou assinou isso de outra forma”, disse Hayashi.
Além da investigação da PF, a própria UFPR já abriu sindicância interna para averiguar desvio de conduta de servidores. Em entrevista à Gazeta do Povo no dia 3 de fevereiro, o retor Ricardo Marcelo Fonseca confirmou que foi notificado dos desvios assim que assumiu a administração da universidade em dezembro - a reportagem do jornal também vinha apurando a suspeita de desvio nas bolsas desde dezembro.
Os trabalhos realizados até agora mostram que os pagamentos fraudulentos eram feitos a partir de verbas repassadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do governo federal vinculado a pesquisas acadêmicas. De acordo com a PF, nenhuma documentação dos pagamentos forjados seguia padrões normalmente usados em repasses de pesquisa, o que indica falha no processo interno de fiscalização.
“Várias instâncias, em tese,deveriam ter se atentado àquele procedimento interno. Por isso estamos apurando agora para delimitar a conduta de cada um nessa investigação policial”, acrescentou o delegado.
O próprio reitor da UFPR admitiu que os sistemas de controle da universidade “eram insuficientes”.A informação também foi confirmada na entrevista à Gazeta do Povo no dia 3 de fevereiro. Fonseca admitiu que o controle das contas das bolsas eram insuficientes tanto dentro da própria UFPR, como nos órgãos externos que acompanham as contas da universidade.
Operação Research - A Polícia Federal (PF) cumpriu 73 mandados judiciais na manhã desta quarta-feira (15) em operação que investiga o desvio de ao menos R$ 7,3 milhões em bolsas de pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Foram detidas 27 pessoas que, segundo a Controladoria -Geral da União (CGU), que também atua na operação, receberam dinheiro de bolsa sem ter vínculo com a universidade entre 2013 e 2016. Entre os presos nesta quarta estão duas funcionárias públicas federais, que, de acordo com a universidade, foram suspensas de suas atividades. A UFPR afirmou que também realiza uma investigação interna para esclarecer as suspeitas.
No total, foram cumpridos 29 mandados de prisão temporária, oito conduções coercitivas e 36 mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Além de 180 policiais federais, participam da operação seis servidores da CGU e quatro do Tribunal de Contas da União (TCU).
De acordo com a PF, a investigação conjunta aponta que foram desviadas recursos de auxílio a pesquisadores, bem como de bolsas de estudo no país e no exterior. A CGU acrescentou que os investigados não atendiam aos requisitos básicos para receber as bolsas e sequer atuaram efetivamente em projetos de pesquisa.
Gazeta do Povo (PR)

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