terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Cabral passa mal e é atendido em UPA

O ex-governador Sérgio Cabral passou mal na manhã de segunda-feira, 13, e precisou ser atendido na unidade médica do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio, onde está preso.

De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Cabral foi atendido no ambulatório da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira e, depois, encaminhado a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que fica dentro complexo, para fazer exames.

Após ser atendido, Cabral retornou para a unidade prisional e, segundo a secretaria, passa bem. Não foram divulgados detalhes sobre o motivo do mal-estar do ex-governador.


Transferência -  O Ministério Público do Rio tenta barrar a transferência do ex-governador, preso há quase três meses em Bangu, para o antigo Batalhão Especial Prisional (BEP) de Benfica, na zona norte, onde está sendo construída uma ala para presos da Lava Jato.


O presídio está desativado desde 2015 e, segundo revelou o Fantástico, da TV Globo, no domingo, 12, vem sendo reformado para abrigar presos com curso superior, como o ex-governador. 

Quando em funcionamento, o BEP abrigava policiais militares que aguardavam julgamento. A unidade foi fechada depois que uma juíza foi agredida a pauladas durante uma inspeção-surpresa. Na ocasião, foram descobertas regalias que os presos tinham, como móveis, eletrodomésticos e celulares. Eles tinham acesso até a carne para churrasco e cerveja.

Ao Fantástico, o secretário de Administração Penitenciária, coronel Erir Ribeiro, negou que Cabral vá obter privilégios no BEP. A promotora Valéria Videira, responsável pela fiscalização de penitenciárias, disse que o MP vai tentar impedir a transferência. “A falta de fiscalização e a vulnerabilidade do local vão propiciar o ingresso de mordomias e vantagens que hoje não estão ocorrendo (em Bangu)”, ela afirmou


Denúncia - Cabral foi denunciado novamente pelo MPF (Ministério Público Federal) no Rio de Janeiro por 184 crimes de lavagem de dinheiro. Segundo a procuradoria, os fatos apresentados na denúncia são resultantes da Operação Eficiência, segunda fase da Calicute, desdobramento da Lava Jato no Estado. A denúncia foi apresentada à 7ª Vara Federal, que já o havia tornado réu com base em uma outra ação do MPF apresentada na última sexta-feira (10)


Além de Cabral, foram denunciados sua mulher, Adriana Ancelmo, o sócio do escritório de advocacia da ex-primeira-dama Thiago Aragão, o empresário Francisco de Assis Neto, o doleiro Álvaro José Galliez Novis, o ex-assessor de Cabral Carlos Miranda, o amigo de infância do ex-governador Carlos Bezerra --apontado como seu operador--, os operadores do esquema Sérgio Castro de Oliveira e Ary Ferreira da Costa Filho, e os irmãos e doleiros Renato Chebar e Marcelo Chebar. Estes dois últimos colaboram com os investigadores.

No total, a denúncia do MPF envolve 511 crimes de lavagem. Além dos 184 de Cabral, são 147 de Miranda, 97 de Bezerra, seis de Oliveira, dois de Costa, sete de Adriana, sete de Aragão, 29 de Neto e 32 de Novis. 

"Contudo, diante da grandiosidade do esquema criminoso, não esgota todos os crimes de lavagem de dinheiro cometidos no Brasil, tampouco todos os fatos praticados pelo grupo, que poderão ser objeto de novas denúncias", diz o MPF.

Cabral --que é alvo, pela quarta vez, de uma denúncia-- está preso desde novembro de 2016, quando começou a Calicute, que também gerou a detenção de Miranda e Bezerra. Na segunda (13), o ex-governador precisou de atendimento médico no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, no Rio. Ele passa bem.

Adriana está presa desde o início de dezembro. Novis, Aragão, Neto, Oliveira e Costa foram presos no âmbito da Eficiência.

Comando - Segundo o MPF, as provas obtidas nas operações Calicute e Eficiência comprovaram que Sérgio Cabral, "no comando da organização criminosa", e os outros denunciados promoveram a lavagem de ativos, no Brasil, por sete principais formas:

pagamento, no Rio de Janeiro, de despesas pessoais de Sérgio Cabral e seus familiares;
pagamento, no Rio de Janeiro, de despesas pessoais de Carlos Miranda e seus familiares;
movimentação de recursos ilícitos, no Rio de Janeiro, para Carlos Bezerra;
distribuição de recursos ilícitos, no Rio de Janeiro, por Sérgio de Oliveira;
envio de valores ilícitos, no Rio de Janeiro, para Thiago Aragão;
envio de valores ilícitos, no Rio de Janeiro, para Francisco de Assis Neto;
entrega de valores ilícitos, no Rio de Janeiro, por Álvaro Novis aos colaboradores;

De acordo com a procuradoria, os atos tinham por objetivo "converter os recursos de propina em ativos de aparência lícita ou distanciar ainda mais o dinheiro derivado de crimes de corrupção de sua origem ilícita".

Os doleiros Renato e Marcelo Chebar recebiam, dos demais denunciados, dinheiro em espécie e faziam a distribuição, posterior, "para pagamentos de despesas em favor dos membros do grupo criminoso", segundo o MPF.

"Os colaboradores forneceram uma planilha de controle de caixa que aponta que os recursos por eles custodiados foram utilizados para pagamentos de despesas, no período de 1º de agosto de 2014 a 10 de junho de 2015, no valor de R$ 39.757.947,69, uma média de aproximadamente R$ 4 milhões por mês", diz a denúncia.

Esse valor é referente ao que foi movimentado no Brasil. No exterior, a quantia passa de R$ 317,8 milhões, que envolvem depósitos nas contas dos irmãos Chebar e outras pessoas, diamantes guardados em cofres e quatro quilos e meio de ouro. Isso representa "apenas parte do que amealharam dos cofres públicos, por meio de um engenhoso processo de envio de recursos oriundos de propina para o exterior", diz o MPF.

Segundo a procuradoria, Cabral "se valeu dos serviços dos referidos irmãos, operadores do mercado financeiro, para ocultar, em contas bancárias no exterior, em nome destes ou empresas de fachada por eles constituídas, o dinheiro da propina que recebeu no Brasil e que foi remetido ao exterior".




Com informações do Estadão e do Portal Uol

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