terça-feira, 24 de janeiro de 2017

'Science': Cenário caótico leva cientistas a deixarem o Brasil

Há dois anos, Fernanda De Felice estava no auge conta a publicação da Science nesta terça-feira (24). A bioquímica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveu uma importante pesquisa sobre a evolução da doença de Alzheimer e publicou em revistas de renome. Desde então, uma crise do orçamento do Estado cortou todo o financiamento público para seu trabalho. Em março, De Felice vai para o Canadá por dois anos onde ficará na Queen's University, em Kingston, deixando seu marido e principal colaborador, o professor Sergio Ferreira, da UFRJ. "Não é o que eu queria, mas é o que eu preciso fazer no momento", diz De Felice. "Ficar no Brasil significaria o fim da minha carreira."
Milhares de outros cientistas do Rio de Janeiro,a segunda maior cidade do Brasil, e muitas instituições de pesquisa importantes, enfrentam uma luta similar. O declínio do apoio federal à ciência no Brasil, que não contava com dinheiro, havia minado fundos para bolsas de estudo e infra-estrutura de laboratório. Agora, a agência de financiamento do Rio de Janeiro, FAPERJ, está falida. Ele caiu US $ 150 milhões para pagamentos de doações - e mais de 2 anos cortou fundos para 3670 projetos de pesquisa. No ano passado, ele dedicou a maior parte de suas despesas - US $ 30 milhões - para bolsas de pós-graduação. O financiamento de ciências enfrenta ameaças semelhantes em outros estados brasileiros.
A fuga em massa de cérebros é um risco real, advertem cientistas. "Conheço muitas pessoas que querem sair", diz Stevens Rehen, pesquisador de células-tronco da UFRJ e do Instituto D'Or para Pesquisa e Educação. 
O alerta também está no estado São Paulo, onde a legislatura no mês passado pela primeira vez sinalizou que não cumprirá a alocação legal de orçamento de sua agência de ciência estadual, a FAPESP. Com direito a 1% das receitas fiscais estaduais, a FAPESP receberá 0,89% das receitas projetadas em 2017 - uma redução de US $ 35 milhões, informa a Science em sua reportagem. 
A situação dos cientistas brasileiros "é exatamente tão ruim quanto parece", diz Suzana Herculano-Houzel, uma neurocientista que deixou a UFRJ para a Vanderbilt University em Nashville em maio do ano passado.
Jornal do Brasil (Rio)

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