quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Danos cerebrais do zika vírus

Um relatório divulgado nesta terça-feira mostra em detalhes claros os tipos de dano que infecções com o vírus Zika podem causar ao cérebro em desenvolvimento-- danos que vão bem além da devastadora microcefalia, a má-formação craniana em recém-nascidos.
O atual surto de Zika foi detectado pela primeira vez no ano passado no Brasil, onde o vírus é associado com mais de 1.800 casos de microcefalia.
Pesquisas anteriores mostraram que o Zika ataca as células progenitoras neurológicas, um tipo de célula-tronco que se desenvolve em diferentes tipos de células nervosas ou cerebrais.
A mais recente pesquisa, publicada no periódico Radiology, explora descobertas com base em imagens e autópsias ligadas a infecções de Zika confirmadas em 17 crianças e fetos pelo Instituto de Pesquisa de Campina Grande, na Paraíba, onde a infecção tem sido grave.
O estudo também incluiu registros sobre 28 fetos ou recém-nascidos com problemas cerebrais, nos quais suspeitava-se que as mães tiveram Zika durante a gravidez.
Quase todos os bebês em cada grupo tiveram ventriculomegalia, uma condição na qual os ventrículos, ou espaços com fluidos no cérebro, ficam aumentados.
Enquanto a maioria dos fetos teve pelo menos um exame mostrando uma circunferência muito pequena da cabeça, sugerindo que eles tinham microcefalia, três fetos com ventriculomegalia tinham circunferência da cabeça normal, mas ventriculomegalia grave.
Quase todos os fetos ou bebês no grupo de casos confirmados de Zika e quase 80 por cento do grupo com suspeita de Zika apresentaram anormalidades no corpo caloso, um grande feixe de fibras nervosas que permite a comunicação entre os hemisférios esquerdo e direito do cérebro.

Em todos os casos estudados, com a exceção de um, os pesquisadores encontraram casos nos quais os neurônios em desenvolvimento não seguiam para o seu destino apropriado no cérebro. 
"Do ponto de vista de imagem, as anomalias no cérebro são muito graves, quando comparado a outras infecções congênitas", disse a coautora do estudo Dra. Deborah Levine, do Beth Israel Deaconess Medical Center e professora de radiologia da Harvard Medical School.
Agência Reuters

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