quarta-feira, 6 de maio de 2015

Sexismo na política francesa

Comentários libertinos, mãos ousadas ou reiterados convites para jantar: alguns políticos franceses mostram um paternalismo lascivo em relação às jornalistas, denunciam 40 delas em uma petição publicada nesta terça-feira 5 na capa do jornal francês Libération.
Sob o título "Tire suas mãos de mim", as signatárias, que cobrem a atualidade política para os grandes meios de comunicação (France InterLe Monde,AFPLibérationTF1, entre outros), relatam uma série de exemplos do machismo que reina no exercício de sua profissão.
Mencionam o caso de um parlamentar que "acaricia o nosso cabelo", outro "que lamenta que não usamos decote" ou "o jovem talento de um partido que insiste em nos ver durante a noite".
Em 2011, a prisão do então diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn por acusações de estupro permitiu denunciar essas formas de perseguição, lembram. 
As signatárias reconhecem que sua "profissão implica a construção de uma proximidade e de um vínculo de confiança", mas que para isso se sentem obrigadas a "integrar os limites do machismo reinante" e evitar os encontros cara a cara, usar roupas sóbrias e vigiar para manter o tratamento formal."Pensamos que o caso DSK remexeu as coisas e que os costumes machistas, uma mostra de vulgaridade cidadã e política, estavam em vias de extinção", denunciam. "Mas enquanto a política seguir nas mãos de homens heterossexuais e sexagenários, nada mudará."
Agência France Press